Alunos de curso sofrem represálias após prisão de falsa médica na Baixada

Colégio Curso Mova, da Baixada Fluminense, se viu envolvido na situação após a divulgação da foto da carteirinha de estudante de Mariana Batista de Miranda. Um estudante chegou a ser questionado se "aprendia a matar"

Por NADEDJA CALADO

Mariana praticava ilegalmente a profissão. Ela não tinha registro profissional ou formação e mesmo assim realizava os procedimentos e prescrevia medicamentos
Mariana praticava ilegalmente a profissão. Ela não tinha registro profissional ou formação e mesmo assim realizava os procedimentos e prescrevia medicamentos -

Rio - Após a prisão da falsa médica Mariana Batista de Miranda, o curso onde ela estudava para se tornar técnica em enfermagem enfrenta as repercussões negativas do caso. O Colégio Curso Mova, da Baixada Fluminense, se viu envolvido na situação após a divulgação da foto da carteirinha de estudante de Mariana. Segundo a coordenadora do curso técnico de Enfermagem da instituição, Stefani Balbino, alunos relataram estar sofrendo assédio moral após o episódio, e um dos estudantes contou ter recebido uma mensagem questionando se ele também "aprende a matar pessoas" no curso.

"Infelizmente essa exposição nos prejudicou muito. A prática que ela exercia não tem relação alguma com o que aprendeu no curso. Trabalhamos eticamente e abominamos essa postura, que não tem respeito pela profissão médica e pela vida", afirmou Stefani. Ela contou que a instituição vem recebendo questionamentos quanto à idoneidade do curso por conta da situação. "O impacto negativo é muito grande. O curso não tem relação nenhuma com o procedimento médico e estético que ela (Mariana) é acusada de fazer. Mas quem não lê a matéria inteira e só vê a foto (da carteirinha) acaba achando que existe alguma relação", lamentou.

A instituição tem cinco unidades, que ficam nos municípios de Nova Iguaçu, Nilópolis e São João de Meriti, na Baixada Fluminense, e tem seis mil alunos. O curso técnico em Enfermagem, que Mariana Batista de Miranda cursava, dura um mínimo de 18 meses, com estágio obrigatório em hospitais conveniados. Mariana estava na metade do curso.

Segundo Stefani, a instituição abrirá um processo administrativo junto à Secretaria de Educação para apurar a conduta ética de Mariana, já que ela praticou indevidamente a Medicina, não inerentes à formação que ela estudava, e causou a morte de uma pessoa. Após a conclusão do inquérito policial, o processo poderá aplicar sanções pedagógicas a Mariana.

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