PARA RESSURGIRDAS CINZAS

Cerca de 50% das 20 milhões de peças do acervo foram salvas em prédio anexo ou dentro do museu. Dinheiro para começar a recompor a História sai até segunda-feira

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O Museu Nacional começa a definir as próximas ações para recuperar peças entre os escombros e para a reconstrução do prédio. A vice-diretora da instituição, Cristiana Serejo, disse ontem que os R$ 10 milhões prometidos pelo Ministério da Educação para as obras devem chegar até segunda-feira. Enquanto isso, está sendo negociada com a reitoria da UFRJ a possibilidade de utilizar a verba de forma emergencial, dispensando licitação, a fim de agilizar os trabalhos.

Após a reconstrução, ainda sem prazo, a ideia é abrir um novo museu com o que for recuperado e negociar a doação de peças de outros museus do mundo, como múmias. Uma ação prioritária é providenciar uma cobertura para proteger o edifício e o que está nele. Isso deve ser feito na próxima semana. A medida é importante para evitar a deterioração do material por chuvas e proliferação de fungos. Depois que o acesso for liberado pela Defesa Civil, o espaço vai virar um sítio arqueológico: profissionais vão à caça de relíquias preservadas ou passíveis de reconstituição.

"Temos especialistas em conservação e profissionais com experiência em situações de risco, além de voluntários, que devem formar uma equipe de dez a 15 pessoas. É um trabalho demorado, mas a gente sabe da urgência para que o material não fique exposto demais", afirmou Cristiana.

Num primeiro momento, a gestora chegou a dizer que 90% das 20 milhões de peças do acervo foram perdidas. Ontem, ela apontou que talvez metade do acervo tenha se salvado. Nem todas as peças estavam no museu e alguns departamentos mantinham suas reservas técnicas em outros prédios. Era o caso das coleções com 150 mil itens de animais invertebrados, 500 mil de botânica e 500 mil da biblioteca. Além disso, a esperança aumentou até mesmo em relação aos artigos expostos ao fogo.

"Minerais resistem mais ao incêndio. Algumas peças de cerâmica podem estar preservadas. Encontraram poucas, mas tínhamos uma sala inteira de cerâmicas e certamente vamos encontrar pedaços que podem ser reconstituídos com o auxílio de fotos", exemplificou. Alguns armários corta-fogo no térreo, com paleofósseis, ficaram de pé. "A ideia é abri-los e ver o estado de conservação", acrescentou ela.

Outras perdas são irrecuperáveis, como toda a coleção de insetos e de aracnídeos que ficavam no terceiro andar. Eles foram carbonizados, assim como suas etiquetas de identificação.

A vice-diretora confirmou que o Museu Nacional não tinha seguro nem brigada de incêndio. A intenção da administração, segundo ela, era usar parte dos recursos que seriam disponibilizados pelo BNDES (R$ 25 milhões) a partir de outubro para obter a brigada. Entidades internacionais também estão oferecendo ajuda.

 

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