Helio Jaguaribe, jurista e imortal da Academia Brasileira de Letras, morre aos 95 anos

Sepultamento para esta quarta-feira, no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista, em Botafogo

Por O Dia

Helio Jaguaribe
Helio Jaguaribe -

Rio - Morreu aos 95 anos, na noite deste domingo, Helio Jaguaribe em sua residência em Copacabana, Zona Sul do Rio, vítima de falência múltipla dos órgãos. O acadêmico, jurista, sociólogo e escritor será velado na Sala dos Poetas Românticos, no Petit Trianon, a partir das 10 horas de quarta-feira. O sepultamento está previsto para o mesmo dia, às 15 horas, no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista, em Botafogo. Ele deixa viúva, Maria Lucia Charnaux Jaguaribe, e cinco filhos, Anna, Roberto, Claudia, Beatriz e Isabel.

“Helio Jaguaribe foi um dos últimos grandes intérpretes de nosso país. Estudou o Brasil para transformá-lo, mediante uma abordagem desenvolvimentista, com a fundação do Iseb (Instituto Superior de Estudos Brasileiros), nos anos cinquenta”, lamentou o presidente da ABL, Marco Lucchesi.

Lucchesi disse, ainda, que “para Helio Jaguaribe, ação e pensamento permanecem indissociáveis, como Darcy Ribeiro e Celso Furtado, que o precederam na cadeira 11 da Academia Brasileira de Letras. Cientista político de alta erudição e consciência vigilante, deixou obra vasta e criativa. Cito apenas dois títulos: A dependência político-econômica da América Latina, verdadeiro clássico na área, e Um estudo crítico da história, divisor de águas da interpretação do processo histórico publicado em nosso país. Homem de gestos largos e entusiasmado, Helio continua vivo pelas virtudes de sua obra, saudosa do futuro”.

Nono ocupante da cadeira nº 11 da ABL, Helio Jaguaribe foi eleito em 3 de março de 2005, na sucessão de Celso Furtado, e recebido em 22 de julho de 2005, pelo Acadêmico Cândido Mendes de Almeida.

Helio Jaguaribe de Mattos, academicamente conhecido como Helio Jaguaribe, nasceu no Rio, em 23 de abril de 1923, diplomando-se em direito, em 1946, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC). Em 1952, iniciou, com um grupo de jovens cientistas sociais, um projeto de estudos para a reformulação do entendimento da sociedade brasileira, fundando o Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política (Ibesp), de que foi secretário geral e diretor da revista do Instituto, Cadernos de Nosso Tempo, de relevante influência no Brasil e na América Latina.

Em 1956, teve a iniciativa de promover a constituição do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb), uma instituição de altos estudos, do Ministério da Educação e Cultura, no campo das Ciências Sociais, do qual foi designado Chefe do Departamento de Ciência Política. Exonerando-se de ambas as funções em 1959, por discordância com mudanças na orientação do Instituto. Passou, então, alguns anos colaborando, sem vínculos permanentes, com diversas instituições acadêmicas, no Brasil e no exterior.

Em 1964, depois de pública condenação do golpe militar, afastou-se do país e foi lecionar nos Estados Unidos: de 1964 a 1966, na Universidade de Harvard; de 1966 a 1967, na Universidade de Stanford; e de 1968 a 1969, no MIT – Massachusets Institute of Tecnology.

Retornando ao Brasil em 1969, ingressou no Conjunto Universitário Cândido Mendes onde, por alguns anos, foi diretor de assuntos internacionais. Com a fundação do Instituto de Estudos Políticos e Sociais, em 1979, foi designado decano do novo instituto, função que exerceu até 2003. 

Por sua contribuição às Ciências Sociais, aos estudos latino-americanos e à análise das Relações Internacionais, recebeu o grau de Doutor Honoris Causa da Universidade de Johannes Gutenberg, de Mainz, RFA (em 1983); da Universidade Federal da Paraíba (em 1992); da Universidade de Buenos Aires (em 2001). Em 1996 foi agraciado, por sua contribuição às Ciências Sociais, com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico. Em 1999, o Ministério da Cultura conferiu-lhe, por sua contribuição ao desenvolvimento cultural do país, a Ordem do Mérito Cultural.

 

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