'Até quando temos que esperar?', questiona mãe de Marielle Franco sobre investigações

Seis meses após o assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes, familiares lamentam falta de respostas da polícia

Por *Luana Dandara

Os pais de Marielle Franco
Os pais de Marielle Franco -

Rio - Seis meses depois, a pergunta "Quem matou Marielle e Anderson?" continua sem respostas. Assassinados a tiros no dia 14 de março no Estácio, o caso da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes ainda é um mistério para a Polícia Civil. Sem informações divulgadas sobre os autores, os mandantes ou a motivação do crime, a família diz que a demora nas investigações traz apenas mais sofrimento e desesperança.

Em entrevista ao DIA, a mãe de Marielle, Marinete Silva, de 66 anos, conta que toda a vida familiar teve que ser reestruturada. "As autoridades estão devendo a todos nós. Para a família é um sofrimento diário. Não é só a vereadora Marielle, é a dor de uma mãe. Até quando vamos ter que esperar?", indagou ela. "Esse silêncio é muito pior, não temos uma posição de quem matou e porquê. É um fardo que carregamos."

Sobre a filha da vereadora, Luyara Santos, de 19 anos, Marinete afirma que ela é a mais afetada. "É uma menina cheia de vida, era a parceira dela. Foi muito brutal. Marielle não pode ser esquecida", reforçou. Nas redes sociais, a jovem publicou fotos com a mãe lembrando os seis meses da morte. "A ausência fica mais forte. Ainda tento segurar o choro. Tá difícil. Volta pra mim! #mariellevive".

Já para a irmã de Marielle, Anielle Franco, o maior sentimento é de indignação. "A dor aumenta pelo silêncio da polícia, e pelo uso eleitoral do nome da minha irmã. São 180 dias de muita indignação. A minha vida se tornou defender o legado e a memória da Marielle", ponderou ela. Questionada sobre a demora nas investigações, a professora, de 33 anos, afirma que tenta ter esperanças. "Tem um lado meu que é mais rebelde, que acredita que a polícia pode estar esperando passar as eleições, ou até que vão apontar um culpado que não tenha nada a ver com a história, mas no fim prevalece uma ponta de fé de que o caso será elucidado. A minha irmã me ensinou a ter essa fé".

Com uma filha pequena, afilhada da vereadora assassinada, Anielle acrescenta que ela sente a presença da irmã. "Às vezes minha filha fala que ela está com a gente. Isso me emociona. Acredito que Marielle está feliz com a repercussão, com a força das mulheres negras, dos movimentos sociais, mas também indignada com pessoas que tinha por perto que hoje usam o nome dela", criticou. "A minha irmã fazia política diferente. Vai demorar muito para ter outra Marielle, talvez nunca tenha".

A respeito de possíveis ameaças, a professora conta que chegou a ser seguida por um carro dias após a morte da irmã, e um homem também a parou na rua dizendo 'está falando demais'. Hoje, no entanto, os ataques nas redes sociais são os mais amedrontadores, diz Anielle. "Sou bombardeada diariamente, depois do ataque ao Bolsonaro voltaram a enviar mensagens. Eu continuo lutando por ela."

Para a viúva de Anderson, Agatha Reis, mãe de Arthur, de 2 anos, os seis meses do assassinato foi o dia mais difícil depois da morte. "O Arthur chorou a noite toda. Ele está aprendendo a andar, e o pai não vai poder ver isso. Achei que a dor ia diminuir com o tempo, mas não é assim", lamenta. "Não sei até que ponto a investigação da polícia é sigilosa, ou se não tem nada. Na terça-feira, fui na delegacia e eles disseram que é um caso como nenhum outro. Entendo que leve certo tempo, mas quem está de fora tem pressa de resposta. Precisamos saber até onde avançou".

"Fica um marco de muita dor, mas também de muita luta de toda a família", reforça Anielle Franco.

*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes

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