Vigilância Sanitária passa a multar comércio que usa canudos plásticos

Segundo lei municipal, estabelecimentos e ambulantes só podem usar os feitos com papel biodegradável

Por *Luana Dandara

Ontem, técnicos da Vigilância Sanitária visitaram restaurantes, bares e lanchonetes de Copacabana, na Zona Sul. Um dos estabelecimentos acabou multado em R$ 1.650
Ontem, técnicos da Vigilância Sanitária visitaram restaurantes, bares e lanchonetes de Copacabana, na Zona Sul. Um dos estabelecimentos acabou multado em R$ 1.650 -

Rio - A Vigilância Sanitária começou nesta terça-feira a multar os estabelecimentos e ambulantes que continuam a utilizar canudos plásticos. No primeiro dia de fiscalização, oito bares e restaurantes de Copacabana foram inspecionados e uma lanchonete acabou multada. Por lei, os estabelecimentos estão obrigados a usar somente canudos de papel biodegradável.

Em um primeiro momento, os técnicos da Vigilância Sanitária inspecionam apenas os locais que já receberam orientação sobre a nova legislação. A multa para os estabelecimentos comerciais é de R$ 1.650 e a dos ambulantes é de R$ 650. Em caso de reincidência, a valor pode chegar a R$ 6 mil. "O Rio se tornou a primeira capital a banir os canudos plásticos. Estamos na vanguarda de uma luta muito importante, em defesa do meio ambiente. É uma causa de toda a população, que pode ajudar a prefeitura a fiscalizar e a cobrar dos comerciantes o cumprimento da lei", destacou o prefeito Marcelo Crivella.

A principal reclamação dos comerciantes, no entanto, é a falta de fornecedores adequados à nova regra. Não à toa, diversos estabelecimentos estão deixando de usar qualquer tipo de canudo. "Tivemos de tirar e oferecer o copo plástico. Procuramos um fornecedor, mas não encontramos", afirmou o gerente da loja Big Mate, Antônio Eudes, acrescentando que o produto de papel tem valor muito superior ao de plástico. "Os clientes reclamam da falta de canudos, mas é o jeito", concluiu.

Já o dono da loja BT Sucos, Wilson Alves Freires, multado ontem, disse que vai recorrer. "Eu comprei canudos biodegradáveis, achei que era o certo. Não tenho conhecimento técnico para saber. É uma falta de compreensão da prefeitura, eles deviam ser mais responsáveis na hora de multar", reclamou. "Vou passar a oferecer o copo. Acaba sendo mais plástico no meio ambiente".

A Vigilância Sanitária alerta para que a população fique atenta ao uso dos canudos plásticos. Se observada irregularidade, denúncias podem ser feitas na central 1746 para que as equipes possam verificar e aplicar as penalidades.

Segundo Márcia Rolim, subsecretária municipal de Vigilância Sanitária, os fiscais visitaram sindicatos e associações para esclarecer que está liberado apenas o uso de canudos de papel biodegradável e que os de plásticos devem ser banidos. "Foram dois meses de esclarecimentos. Se for constatado que eles continuam oferecendo canudo de plástico, serão autuados", avisou.

Reciclagem de descartáveis

Durante as inspeções da 'Lei do Canudinho', também é verificada pela Vigilância Sanitária a destinação do material descartável, que deve ser ofertado a entidades ou empresas cadastradas no órgão municipal competente para fins de reciclagem ou reaproveitamento.

Na inspeção é exigido pelos fiscais que os estabelecimentos disponibilizem, em local visível ao público, informação sobre os resíduos sólidos e o tempo de degradação na natureza.

Além dos canudos de papel biodegradável, existem outras opções para substituir o plástico. É o caso do metal, bambu ou vidro, menos prejudiciais ao meio ambiente.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 1 bilhão de canudos plásticos são descartados diariamente no mundo. Material leva até 450 anos para se decompor e, até 2050, haverá mais plástico do que peixes nos oceanos.

*Estagiária sob supervião de Maria Inez Magalhães

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