Densa fumaça alaranjada emitida pela CSN assusta e deixa moradores de Volta Redonda indignados

Incidente ocorreu há pouco. Empresa diz ter sido problema "pontual"

Por FRANCISCO EDSON ALVES

Comparada a uma
Comparada a uma "bomba atômica", nuvem de fumaça assustou moradores na altura da Vila Santa Cecília -

Rio - Imagens feitas por moradores de Volta Redonda, em pleno centro da cidade, no Sul Fluminense, agora pela manhã, mostrando a emissão de uma densa fumaça alaranjada das chaminés da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), estão circulando nas redes sociais. O fato ocorreu na altura do Escritório Central, na Vila Santa Cecília, causando susto e indignação a quem presenciou a cena.

“Vejam o que a CSN faz com nossos pulmões em plena luz de um dia claro. Imagina o que ela faz à noite e nos dias nublados?”, postou o internauta José Palhares. “É isso que respiramos dia e noite em Volta Redonda e região. Puro pó de ferro. Parece uma bomba atômica, cruz credo”, completou a Mariléa de Pádua, que disse morar no Retiro, um dos bairros mais castigados com a poluição da empresa.

Em nota de duas linhas, a CSN admitiu que houve “uma emissão pontual e de curta duração na Aciaria nesta manhã”. “Apesar do impacto visual, não foram registradas alterações na qualidade do ar da cidade”, destacou o texto. 

Em nota (ver a íntegra no final da matéria) emitida no final desta tarde, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) afirmou que a CSN "informou voluntariamente ao órgão sobre a emissão atmosférica fugitiva pontual, que ocorreu pelo lanternim da Aciaria". "Uma equipe da superintendência do Inea em Volta Redonda foi à Usina na tarde desta quarta-feira e amanhã informará o que foi constatado", diz um trecho do texto. Solicitado pelo DIA, o instituto não deu qualquer informação sobre multas supostamente emitidas à CSN este ano por poluição e se as mesmas já foram ou não pagas.

As fortes imagens também chamaram a atenção e causaram reações imediatas por parte de líderes do "Movimento dos Atingidos pelo Pó da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN)", criado recentemente, depois de uma série de reportagens do DIA. Nas publicações, o jornal mostoru o sofrimento de moradores por conta de pó preto de escória (rejeitos da produção do aço nos Altos-Fornos e Aciaria) que saem das chaminés da Usina Presidente Vargas (UPV) e de depósito irregular operado pela Harsco, na periferia; e de cor avermelhada (resultante da queima de sucatas), além de possíveis gases maléficos de seus Altos-fornos e Aciaria, conforme especialistas.

“As imagens são apavorantes, chocantes. Estamos aguardando atitudes por parte das autoridades competentes em defesa da qualidade do ar em Volta Redonda há tempos. Cansamos de promessas em vão”, afirmou Adriana Vasconcellos, da direção dom movimento e presidente da ONG Comissão Ambiental Sul.

Mesmo sem cumprir outros quatro compromissos anteriores idênticos em sua íntegra, a CSN assinou na primeira quinzena, mais um Termo de Ajuste e Contata (TAC) com o Governo do Estado, sem a participação de órgãos como o Ministério Público Federal (MPF-VR), no qual se compromete a investir R$ 303 milhões na modernização de equipamentos para a redução da poluição em sua usina. Ao todo estão previstas no documento, 35 ações para tentar por fim à poluição atmosférica. Em julho, o INEA anunciou que multaria a CSN por emissões fugitivas (materiais poluentes) na atmosfera do município, mas ainda não há informações sobre valores, que poderia, conforme anunciado na época, chegar a R$ 300 mil

A ÍNTEGRA DA NOTA DO INEA

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informa que a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) comunicou voluntariamente ao órgão ambiental estadual, na manhã de hoje (31/10), sobre a emissão atmosférica fugitiva pontual que ocorreu pelo lanternim da Aciaria da Usina Presidente Vargas, situada em Volta Redonda, no Sul Fluminense e que as equipes técnicas da siderúrgica estão analisando as possíveis causas dessa ocorrência.

Uma equipe da superintendência do Inea em Volta Redonda foi à Usina na tarde desta quarta-feira (31/10) e amanhã informará o que foi constatado. Além disso, a equipe técnica da Gerência do Ar do Inea também vai avaliar o que pode ter havido. Somente após consolidar essas informações é que o Inea irá determinar quais medidas serão tomadas.

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