Campanha nacional alerta os homens para o câncer de próstata

Começa nesta quinta o Novembro Azul, que visa conscientizar o público masculino da importância da prevenção

Por WILSON AQUINO

André Dias, o Groa de 'Segundo Sol', é um dos apoiadores da campanha
André Dias, o Groa de 'Segundo Sol', é um dos apoiadores da campanha -

Rio - A cada hora, sete homens recebem o diagnóstico de câncer de próstata no Brasil, conforme estimativas de incidência do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para 2018 são mais de 68 mil casos ao ano. O tumor mais incidente no sexo masculino, excluindo-se o câncer de pele não melanoma, mata cerca de 20% dos pacientes foram 14.484 óbitos em 2015. No entanto, muitos por medo ou preconceito ainda se recusam a fazer exames para detectar a doença. Para tentar rever tal quadro, começa nesta quinta-feira em todo o Brasil a campanha de conscientização Novembro Azul.

"As campanhas têm efeito altamente positivo. A divulgação alerta os homens que ainda têm preconceito de fazer o exame de próstata", afirma o médico Edison de Almeida e Silva, diretor do Instituto de Urologia da Gamboa. Segundo ele, o preconceito é coisa de quem nasce na América Latina. "Na Europa e Estados Unidos, os homens fazem exame de próstata sem nenhum constrangimento", garante.

Para o advogado José Guilherme Costa de Almeida, 63 anos, que faz toque retal e o exame de PSA desde os 50 anos, a questão do preconceito é uma bobagem. "É um exame como outro qualquer. Não fere a masculinidade de ninguém. Quem tem problema na próstata é que fica com a masculinidade ferida", argumenta. Segundo ele, no entanto, é melhor prevenir do que remediar. "Nesse sentido, eu me antecipo e faço os exames. O diagnóstico precoce facilita o tratamento", justifica o advogado.

Além de ajudar a diminuir o preconceito quanto ao exame, as campanhas também informam sobre novos tratamentos e fatores de risco. "Atualmente, existem tratamentos conservadores indicados em casos de doença de baixa agressividade, nos quais não vamos realizar nenhum procedimento, apenas acompanhar a evolução da doença com exames periódicos", afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Sebastião Westphal.

A campanha da instituição em 2018, aliás, vai contar com palestras, ações de esclarecimento nas ruas com o Dr. Prost (personagem criado pela SBU para esclarecer o público leigo sobre as doenças da próstata), transmissões ao vivo nas redes sociais, anúncios em transportes públicos e material informativo no site oficial da SBU.

O Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL) também programou uma série de eventos para o mês de novembro. O objetivo é desmistificar o diagnóstico da doença. Segundo Marlene Oliveira, presidente do LAL, o tratamento para quem identifica precocemente o câncer de próstata possui índice de cura de até 90%. "Os exames devem ser solicitados por um médico e, na eventualidade de um diagnóstico positivo, é recomendável que o homem procure um oncologista para que possam decidir juntos pelo melhor tratamento", avisa.

“O preconceito, o medo e o tabu que cercam os homens são os maiores inimigos no diagnóstico de doenças, principalmente no caso do câncer de próstata, que é o segundo mais comum no Brasil”, explica o urologista Mauricio Rubinstein, professor doutor em medicina pela Uerj e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Robótica no Rio (Sobracil).

De acordo com o ator André Dias, da novela 'Segundo Sol', o Novembro Azul é uma campanha importante, já que alerta para a realização do exame de próstata a partir dos 45 anos. "A sua vida é maior do que qualquer preconceito. Se toque", ensina.

Tumor detectado no início: 90% de chances de cura

O câncer de próstata é considerado uma doença da terceira idade, já que 70% dos casos no mundo afetam homens acima de 65 anos. Mas a detecção do tumor ainda em estágio inicial traz um prognóstico positivo para os pacientes, já que as chances de cura chegam a 90%. E um exame disponível recentemente no Brasil pode ser um grande aliado no diagnóstico precoce da enfermidade: o Índice de Saúde da Próstata - o phi. Além de ser mais preciso que o PSA para diagnosticar a doença, o phi dá a médicos e pacientes uma informação essencial: o grau de agressividade do tumor.

Segundo o médico Adagmar Andriolo, patologista clínico da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), até agora a análise da agressividade do tumor era feita apenas através da biópsia prostática, um exame invasivo e que pode provocar infecções, sangramento na urina e no sêmen. Acontece que o câncer de próstata é classificado pela escala de Gleason, que atribui uma pontuação de acordo as características do tecido retirado da próstata - quando o resultado da biópsia é igual ou superior a 7, o tumor é considerado muito agressivo. E estudos recentes indicam que com o phi é possível prever qual será o grau de agressividade do tumor antes mesmo da realização da biópsia.

 

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