'Vou até o fim, não quero que ele saia do Rio impune', diz mulher assediada por norueguês

A consultora de vendas foi parada pelo turista que pediu uma informação quando foi atacada. Ele foi autuado por importunação sexual, crime em vigor há dois meses que prevê pena de 1 a 5 anos de prisão

Por RAFAEL NASCIMENTO

Kellen diz que vai processar o agressor pelas mulheres e por sua filha
Kellen diz que vai processar o agressor pelas mulheres e por sua filha -

Rio - Assediada por um turista norueguês no Terminal Procópio Ferreira, na Central do Rio, Kellen Pavão, de 26 anos, desabafou após o caso, ocorrido na noite desta quinta-feira. A consultora de vendas que mora na Pavuna, na Zona Norte, e trabalha no Centro do Rio, foi para pelo funcionário terceirizado da Petrobras, que pedia uma informação, quando foi atacada. Pela mulheres, incluindo a filha de apenas 10 anos, ela disse que "vai até o fim" para que Espen Pedersen, de 35, não saía impune. Ele foi autuado por importunação sexual, crime em vigor há dois meses que prevê pena de 1 a 5 anos de prisão.

"Espero que ele pague pelo crime que cometeu. Vou processar ele sim, porque ontem eu fui a vítima, né? Não é a primeira vez no Brasil, ele é funcionário da Petrobras, não sei se ele já fez isso como outras mulheres. Não pode ficar impune, se fez a primeira vez, fará a segunda, a terceira, e eu tenho uma filha de 10 anos. Ontem ele fez comigo, daqui a 10 anos pode voltar e a vítima pode ser minha filha. Eu vou até o fim, não quero que se ele saia do Rio impune, ele tem que pagar pelo ato dele", desabafou.

Kellen disse que esperava o marido no Terminal Procópio Ferreira, na Central do Brasil, quando foi abordada pelo norueguês. Antes, segundo a consultora, ele teria abordado uma outra jovem que estava no local. "A todo momento eu imaginei que ele quis informação. Foi quando ele falou que não apresentava perigo, que não era um homem perigoso, aí eu me afastei. Ele abriu a carteira e disse que queria ir para a Central. Eu disse que ele já estava na Central", narra, falando que a partir daí começaram os assédios.

"Foi nesse momento em que ele me assediou, sofri um assédio e cheguei para trás novamente. Falei para ele se afastar, que meu marido estava entrando e não gostaria de ver ele falando comigo. Foi quando sofri o segundo assédio, quando ele me agarrou. Nisso um rapaz veio, perguntou se eu queria ajuda, pois eu gritei, e os policiais do Centro Presente que estavam lá e prenderam ele", contou. O turista passou a mão nas nádegas e seios de Kellen.

De acordo com informações da 5ª DP, Espen Pedersen foi preso em flagrante pelo crime de importunação sexual. O crime prevê pena de 1 a 5 anos de prisão. O norueguês foi encaminhado à Audiência de Custódia, onde ficará a disposição da Justiça.

Espen é funcionário terceirizado da Petrobras e está no Brasil 25 dias. De acordo com a vítima, ele falava português de forma clara. "Eu entendi tudo o que ele falou, os policiais entenderam. Se você perguntar porque ele fez isso, ele fala com todas as letras", falou. Procurada, a Petrobras não se pronunciou sobre o assunto. 

Um passageiro que passava pelo local viu o abuso e ofereceu ajuda à vítima. Segundo a 5ª DP (Mem de Sá), o caso será encaminhado à Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat), no Leblon, Zona Sul do Rio. Durante o depoimento, Esper disse que estava arrependido e que "não conseguiu se controlar".

"Ele passou a mão no meu corpo e logo em seguida passou a mão na minha cintura. Me afastei e falei com ele que o meu esposo estava vindo ao meu encontro e (ele) não iria gostar daquilo ali, que era um absurdo. Foi quando ele se afastou e disse que não estava fazendo nada e antes dele sair ele voltoua passar a mão nos meus glúteos", disse Kellen ao Bom Dia Rio, da TV Globo.

Alexandre de Oliveira, esposo de Kellen, disse que a sua vontade era "fazer uma loucura, mas graças a Deus houve discernimento e sabedoria". "Fizemos a coisa certa (de ir á delegacia). Graças a Deus ele está preso", disse Oliveira.

Em nota, a Petrobras declarou que o acusado não é funcionário da estatal. Entretanto, em depoimento, o homem disse que fazia parte da companhia. Agora não se sabe se ele presta ou não serviço para alguma terceirizada da empresa.

 

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Kellen diz que vai processar o agressor pelas mulheres e por sua filha Reprodução Facebook
Kellen em foto com o marido. Ela foi assediada por norueguês no Terminal Procópio Ferreira, na Central do Brasil Reprodução Facebook

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