'Motociclista Sangue Bom' abastece Hemorio e Hospital da Polícia Militar

Grupos de motociclistas, em ação solidária, cruzam a cidade para fazer doação de sangue

Por Gabriel Sobreira e Martha Imenes

Motociclistas Sangue Bom -

Rio - Grupos de motociclistas de várias regiões do Rio invadiram ontem o Centro da cidade. Não, pera... Não foi uma invasão "do mal", foi uma ação solidária que diversos moto clubes, também chamados de MCs, realizaram ontem pela 7ª vez, a campanha Motociclista Sangue Bom. A ação ocorre todo primeiro sábado de dezembro e junta centenas de pessoas para doar sangue no Hemorio. Este ano, os MCs se dividiram e estenderam a ação para o Hospital Central da Polícia Militar, que fica no Estácio.

Um dos organizadores da campanha, Fernando Britto, do Fantasma MC, contou ao DIA que o banco de sangue do Hospital da PM é muito pequeno e estava com o estoque muito baixo. E, diante de tantos casos de violência envolvendo policiais, conversou com os demais organizadores e estenderam a campanha. "O banco de sangue do hospital não abre aos sábados, mas conversamos com a drª Myriam Broitman, que trabalha no hospital, e ela organizou tudo para que pudéssemos fazer as doações de sangue", diz Britto.

Integrante do Legião Estradeira MC e um dos idealizadores da campanha, Jorge Carlos Rodrigues Pires, o Jorge Sangue Bom, chamou atenção para a dificuldade de mobilizar as pessoas. "A gente como doador vai vendo a necessidade do Hemorio e dificuldade para mobilizar as pessoas", explica. "Hoje (ontem) são grupos de várias partes do Rio de Janeiro: Região do Lagos, Inoã, Maricá, São Gonçalo, Niterói, Santa Cruz, Campo Grande e tantos outros. Acredito que devemos ficar nesse trânsito de mil motos", completa.

Para Heliton Bonifácio, dos Anjos Invasores MC, e a mulher, Ana Claudia da Silva, o ato virou costume na família porque eles já têm o hábito de participar de outras iniciativas, como doações de mantimentos, medula. "Saio daqui com sentimento de alívio e missão cumprida, que vai ser usado para uma boa causa. Acho que também quebra um pouco o preconceito (contra motociclistas). Cada um tem sua 'vibe', tem o skatista, o que voa de asa delta e o nosso é moto", conta.

Essa é a segunda vez que Zard Almeida, do Toca da Caveira MC, participa. "Acho importante ajudar quem precisa. Quero que sirva de exemplo e mais pessoas façam o mesmo", diz ele depois de doar sangue.

Segundo Raul Mulet, do moto clube Rodas em Liberdade, a maior importância do evento é chamar para a conscientização. "As pessoas vêem um grupo de motociclistas se movimentando em direção ao Hemorio, elas já sabem que esse grupo está indo para doar sangue. Estamos conscientizando a população da necessidade e dando exemplo, que não se dá com palavras, mas com ações", defende.

De acordo com a organização da campanha, que teve o apoio da Federação de Moto Clubes do Estado do Rio de Janeiro, o número de doadores que participaram ainda não foi consolidado. Mas, segundo Britto, os bancos de sangue estão abastecidos.

 

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