Paroquianos prometem acampar em igreja para salvar painel sacro em Barra Mansa

Devotos contestam tentativa de explicação de projeto em missas e na internet

Por O Dia

Parte da frente do altar, em mármore, já foi destruída, antes da paralisação das obras, mas painel ao fundo ainda está preservado
Parte da frente do altar, em mármore, já foi destruída, antes da paralisação das obras, mas painel ao fundo ainda está preservado -

Rio - Fiéis da Paróquia de São Sebastião, no Centro de Barra Mansa, contrários às obras já iniciadas no altar da igreja, para instalação de novo painel sacro, prometem acampar em vigília no templo nos próximos dias, caso a cúpula Católica regional insista em dar andamento ao projeto. Neste domingo, mesmo com parte do altar já destruído, o pároco croata Milan Knezovic, tentou dar detalhes aos devotos, após as missas, mas acabou sendo questionado ainda mais durante sua explanação. Boa parte dos fiéis abandonou o templo, assim que ele começou a falar. Alguns deles chegaram a gritar contra Milan, contestando a ideia dele e do bispo da Diocese de Barra do Piraí-Volta Redonda, Francisco Biasin. Ao dizer que amava a igreja, ouviu gritos de "mentiroso".

"O pároco e o bispo ainda estão tentando levar essa ideia insana adiante, com a complacência da prefeitura local, já que o Conselho Municipal de Cultura, que deveria ter embargado as obras, uma vez que a matriz é tombada como Patrimônio Histórico Municipal. Isso é lei e estão ignorando, de forma simulada. Diante disso, não nos restará outra opção a não ser fazermos um cerco à igreja para impedir que acabem de destruir o altar”, argumentou Antônio Carlos Vicente da Silva, de 52 anos, um dos indignados com a situação.

Há quase uma semana o DIA vem pedindo informações detalhadas do projeto, sua motivação e custos à Cúria, sem sucesso. No sábado, mesmo sob chuva, fiéis deram um simbólico "Abraço à Matriz" e prosseguimento à coleta de assinaturas, num abaixo-assinado que será encaminhado ao Papa Francisco.

Nas redes sociais, as críticas se intensificam a cada dia. "Tinham que ter feito um plebiscito junto aos paroquianos e não fazerem tudo a toque de caixa”, defendeu Neuza Maria Sales, de 61 anos. A informação de que o projeto foi colocado em votação junto aos conselhos paroquiais, é contestada nos comentários do próprio Facebook da paróquia.

"Não teve nada de aprovação nos conselhos paroquias, portanto, nada de `tomada de decisões com a comunidade´. Digo isso porque estive presente. A ideia foi meramente comunicada. E, ainda que a maioria tivesse sido contra, acho que de nada adiantaria, uma vez que a obra `já estava marcada´ para se iniciar”, postou Everson Carlos Bonano.

“Não concordamos que uma decisão tomada por meia dúzia de pessoas, valha para milhares de fiéis. O abraço simbólico em frente à igreja manifestou essa nossa indignação. Esperamos mais transparência e bom senso por parte dos representantes da Cúria e da paróquia", afirmou Anderson Henrique, um dos paroquianos revoltados, no sábado.

Nas redes sociais, as críticas são crescentes às obras iniciadas no altar da igreja (de 18559), pelo bispo o pároco, conforme o DIA mostrou com exclusividade.

Na sexta-feira, os dois estiveram reunidos com representantes do Conselho Municipal de Cultura. A prefeitura não embargou as obras. Através de uma nota confusa, informou ter instituído comissão para dar parecer em 15 dias, após entrega do novo projeto pela Cúria.

Os representantes da cúpula da Igreja Católica regional, alegaram na reunião de sexta-feira, no Conselho Municipal de Cultura, que a intenção é “readequar o altar” à lei de acessibilidade, mas admitindo que um novo painel poderá ser instalado à frente do atual, de milenar arte árabe-portuguesa, em azulejos vitrificados, datado de meados do século passado.

A suposta intenção de se colocar um outro painel à frente do atual, com distância de um metro e meio do atual, que poderia ser visitado por um corredor, também é amplamente criticado nas redes sociais.

Conforme o DIA vem divulgando com exclusividade, as obras serão questionadas pelo Ministério Público Estadual (MPRJ), através dos Direitos Difusos e Coletivos à Proteção de Patrimônios. "São intervenções absolutamente desnecessárias, pois o painel atual é lindo e está intacto. Deveriam ajudar os pobres com cestas básicas ao invés de inventarem moda", desabafou Nilton José da Silva, 64 anos, que assinou o abaixo-assinado.

"A paróquia cometeu infração ao ignorar a lei de tombamento (4.492/2015)", afirma o advogado Ricardo Maciel. O bispo e o pároco são acusados por fiéis e até alguns padres verbitas, de "implicar com o desenho do antigo painel", supostamente por atribuírem a ele, "inspiração maçônica".

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