Ciclista morre atropelada por caminhão durante competição na RJ-116

Organização afirma que local era seguro, com ambulâncias e sinalizações e que respeitava o Código de Trânsito. Também disseram que vítima foi lançada a 15 metros e que motorista estava em alta velocidade

Por O Dia

Organização do evento afirmou que motorista não prestou depoimento, até a noite deste domingo, e que não passou por nenhum teste de sobriedade
Organização do evento afirmou que motorista não prestou depoimento, até a noite deste domingo, e que não passou por nenhum teste de sobriedade -

Rio - Uma ciclista morreu após ser atropelada por um caminhão, neste domingo, enquanto participava de uma prova de ciclismo amador. O acidente aconteceu na RJ-116, em Cachoeiras de Macacu, no interior do Rio. O atropelamento aconteceu na curva do km 30 da estrada que liga a Itaboraí a Nova Friburgo. A vítima morreu no local. 

Segundo a organização do evento, o Código de Trânsito permite que os ciclistas andem pelo acostamento, assim como acontece nas cidades. Thiago Gomes, representante da Audax Rio, que organiza o evento, informou que a ciclista, identificada Maria José Nascimento, de 51 anos, foi atingida de frente pelo caminhão, que estava em alta velocidade e atravessou as duas pistas antes de atingi-la. 

"Eu tenho um ciclista que estava 100 metros atrás dela, ele viu tudo. Ele viu que o motorista estava muito rápido, que ele não freou, e que ele já entrou na curva tombando. A própria perícia falou que ele não freou. Ela foi lançada há uns 15 metros de distância", explicou. 

Ele ainda informou que estão trabalhando para agilizar todos os trâmites e colaborar com as investigações. Segundo Thiago, o objetivo da prova é completar a distância estabelecida pela organização. Esta seria a primeira etapa classificatória para uma grande maratona na França, que reúne cerca de 6.500 atletas. Ele explica que os participantes devem completar as quatro distâncias que são estabelecidas pela organização para que sejam classificado. 

"Eu organizo esse evento desde 2009, em todo o estado do Rio. Esta já é a quarta prova realizada neste percurso, desde 2016 estamos lá", explicou. Ele ainda afirma que o local é seguro e que contou com o apoio da concessionária Rota 116, que administra a RJ-116. 

"A organização escolhe o roteiro mais seguro e entra em contato com que pode nos apoiar, neste caso foi a concessionária 'Rota 116'. Eles estavam ajudando com ambulância, viatura e sinalização em trechos perigosos, que não é o caso do local do acidente", afirmou. 

De acordo com Thiago, este era um percurso de 200Km e contava com 78 ciclistas, entre eles, Maria José, que era assídua nos eventos. Ela era massoterapeuta, natural do Espírito Santo e morava em Copacabana, na Zona Sul do Rio.

Sobre o motorista, Thiago informou que ele teve ferimentos leves e foi levado ao hospital pela ambulância da concessionária. O caminhão chegou a descer do barranco após o atropelamento.  Ele ainda afirma que ele não passou por testes do bafômetro nem nenhum outro exame que comprovasse sua sobriedade. Ele teria sido liberado 1h após ter dado entrada no hospital. 

"Até ontem a noite ele não tinha falado com a polícia. Eles não foram no hospital, ele não ficou sob custódia, não foi detido, não foi ouvido. Agora eu não sei se ele já prestou ou não depoimento. Não foi feito teste do bafômetro nem nenhum outro teste de sobriedade", afirmou. 

Procurada para esclarecimentos, a Polícia Civil informou que o motorista já foi ouvido, mas não informou quando o depoimento foi colhido. Ainda de acordo com a polícia, o organizador do evento foi chamado para prestar depoimento nesta segunda. "A perícia já foi realizada e as investigações para apurar as circunstâncias do fato estão com a 159ª DP (Cachoeiras de Macacu)", informou em nota enviada à imprensa.

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