Stand da associação Pintores Com a Boca e os Pés, na segunda edição da feira Cidade PcD, que teve seu encerramento neste domingo, no Centro - Fernanda Dias / Agência O Dia
Stand da associação Pintores Com a Boca e os Pés, na segunda edição da feira Cidade PcD, que teve seu encerramento neste domingo, no CentroFernanda Dias / Agência O Dia
Por *Bárbara Mello

Rio - Um novo ciclo de oportunidades para pessoas com deficiência proporcionado pelo avanço da tecnologia. Esse é o legado deixado pela Cidade PcD 2018, a maior feira do segmento que terminou neste domingo, no Centro de Convenções Sulamerica, na Cidade Nova. Em sua segunda edição, a PcD, em parceria com o Sesc/Senac, apresentou ao público equipamentos que podem reduzir as dificuldades do cotidiano de muita gente. Quem visitou a feira encontrou ferramentas que facilitam a acessibilidade, oferecem autonomia. Uma das novidades foi o OrCamMyEye, um óculos de origem israelense.

Segundo Doron Sadka, diretor da empresa Mais Autonomia, distribuidora exclusiva, a peça proporcionar à pessoas com deficiência independência e oportunidades de estudos.

"O OrCamMyEye é capaz de ajudar um deficiente visual a ler um livro, reconhecer pessoas, identificar produtos e até contar dinheiro, graças a uma câmera intuitiva, acoplada à armação dos óculos do usuário", destacou Sadka.

Um espaço mostrou novo conceito para uma casa acessível, com acessórios e recursos inovadores - Fernanda Dias/Agencia O Dia

Como todos os que passaram pelo stand, o músico Gabrielzinho do Irajá, que é deficiente visual, teve a oportunidade de testar o equipamento, que custa, em média, R$ 19 mil. Ele ficou muito empolgado com a novidade e alertou para a dificuldade em encontrar livros adaptados para versões de áudio e braille. Agora, acredita que os óculos serão fundamentais para resolver o problema.

"É como se eu estivesse enxergando! Lendo com óculos! É demais, não tem sensação melhor!", comemorou.

Salles: dar oportunidade para todos

O presidente de O DIA e coordenador do evento, Marcos Salles, destacou que o principal objetivo da feira é chamar a atenção para as questões como acessibilidade e mobilidade.

"Levantar a bandeira, gritar para os poderes públicos e privados, para que as pessoas comecem a pensar nisso como cidadão, como família, e, assim, de alguma forma, começar a pressionar as instituições", afirmou.

Salles é um grande entusiasta da causa e defende que todos tenham um futuro melhor. "Quando a gente tem oportunidade, consegue ir à frente. O meu desafio é gerar oportunidades para que as pessoas tenham condições de realizar sonhos. Essa é minha meta" finalizou.

Suspensão para cadeira

Outra inovação apresentada pela empresa, a SoftWheel é uma roda que possui um sistema de suspensão e amortecedores que absorvem o impacto da cadeira de rodas sobre buracos e rampas, evitando riscos para coluna e pescoço, garantindo conforto e segurança. Um par de rodas custa em torno de R$8 mil reais.

Aproximadamente 11 mil pessoas passaram pelos corredores da Cidade PcD, durante os três dias do evento que apresentou competições esportivas, novidades tecnológicas e atrações musicais, se tornando um verdadeiro ponto de encontro e de troca de ideias entre pessoas com deficiências e familiares. Ao todo, a feira recebeu com 61 stands e 54 expositores, o dobro do que foi apresentado na edição de 2017.

Os adeptos aos esportes radicais também tiveram espaço. A Livre, soluções em mobilidade, criou o Kit Livre, um equipamento que transforma a cadeira de rodas em um triciclo.

Na Casa Conceito, um dos stands mais visitados, as pessoas puderam conhecer a arquitetura ideal para quem tem deficiência possa ter sua independência na própria casa. Acionamentos por comando de voz, feitos com o auxílio de um tablet, a banheira para cadeirantes e barras de segurança móveis foram algumas das facilidades oferecidas pelo espaço.

De acordo com Gabriella Zubelli, arquiteta responsável pelo projeto apresentado, a feira não é só um espaço para o empreendedor fazer negócios, mas "trazer soluções e questionamentos, além de conscientizar e transformar o olhar do outro na construção de uma sociedade mais inclusiva".

Profissão de intérprete será debatida por vereadores

A regulamentação da profissão de intérprete de Libras será o tema de audiência pública que a Comissão da Pessoa com Deficiência da Câmara de Vereadores do Rio promove hoje. A reunião acontecerá, às 14h, no Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), que fica na Rua das Laranjeiras 232.

As discussões visam tratar da qualificação dos profissionais que atuam como tradutor, guia-intérprete e intérprete de Libras, por meio de programas de formação continuada. A meta é fazer com que as atividades profissionais sejam valorizadas e proporcionem mais segurança no exercício das funções.

Dados do IBGE apontam que quase 10 milhões de brasileiros tem algum tipo de deficiência auditiva, dos quais mais de dois milhões apresentam deficiência auditiva severa.

Para a presidente da comissão, vereadora Luciana Novaes, o debate beneficiará não só os profissionais, mas também as pessoas com deficiência.

"A nossa sociedade precisa evoluir e proporcionar efetiva inclusão para todos os tipos de deficiência. A melhora da qualificação dos intérpretes e tradutores representam não só um ganho para esta classe, como também a todos os surdos", afirmou.

*Estagiária sob supervisão de Max Leone

Você pode gostar
Comentários