MP e Polícia Civil cumprem mandados de busca e apreensão na Prefeitura de Mesquita

Casa do ex-secretário de Governo da cidade, Bruno Daumas, também é alvo, além de sede de empresa e outros três endereços. Motorista de investigado era usado como laranja para aberturas de empresas de fachada

Por O Dia

Prefeitura de Mesquita
Prefeitura de Mesquita -

Rio - O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), e a Polícia Civil, por meio do Núcleo de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (NUCC-LD), e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) realizam na manhã desta terça-feira a operação Templum para cumprir mandados de busca e apreensão na Prefeitura de Mesquita, na casa do ex-secretário de governo da Prefeitura, Bruno Daumas Ferreira dos Santos, na sede da empresa Nil Locações Ltda., e em outros três endereços.

Segundo as investigações, Bruno Daumas Ferreira dos Santos mantém um esquema de fraude em licitações envolvendo a Prefeitura de Mesquita, usando como "laranjas" Raphael Loureiro Souza, Marcelo dos Santos Simões e Tania Maria da Silva Souza – tia de Raphael. Osvaldo da Costa Silva, vulgo Ratinho – já falecido –, era o principal investigado nos autos em razão de sua relevância no esquema criminoso, pois era o verdadeiro responsável pelas empresas.

 

De acordo com a denúncia, o ex-secretário de Governo coordenava um esquema de rodízio de nomeações e exonerações de servidores para trabalharem com as empresas envolvidas nas fraudes. Em diálogo capturado em interceptação telefônica, Bruno negocia a nomeação de motoristas que não possuíam carteira de habilitação.

De acordo com as investigações do Gaeco, os depoimentos apontam que os “laranjas” também se beneficiavam dos crimes. Em uma das conversas telefônicas interceptadas, Raphael informa a Tania que um depósito de R$ 10 mil havia sido feito em sua conta e diz que, desse valor, R$ 5 mil eram da "primeira parcela daquele negócio". O carro e a linha telefônica de Raphael também estão em nome da tia.

Marcelo dos Santos Simões era, na verdade, motorista de Osvaldo, e emprestou seu nome para abrir as empresas utilizadas para fraudar as licitações da Prefeitura. Em depoimento, Marcelo informou que não exercia a atividade empresarial, pois as funções de administrar as empresas era o próprio Osvaldo. Em diálogo interceptado, Osvaldo e Marcelo trocam poucas palavras demonstrando cuidado ao falar ao telefone. 

Na Prefeitura, o cumprimento dos mandados de busca e apreensão conta com a participação de analistas de controle externo do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). O MPRJ também requereu a quebra de sigilo de dados dos bens apreendidos.

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