Casos de chikungunya e febre amarela aumentam substancialmente

Pesquisadores alertam para proliferação de doenças

Por *Luana Dandara

Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue, febre amarela e chikungunya
Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue, febre amarela e chikungunya -

Rio - Duas doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, a chikungunya e a febre amarela apresentaram um aumento substancial este ano no Estado do Rio. Em comparação a 2017, o número de casos de chikungunya foi cerca de 770% maior, e pode chegar ao nível epidêmico no próximo verão. Já a febre amarela, que era considerada erradicada em todo país, cresceu 870% nos municípios fluminenses e preocupa as autoridades por conta da letalidade, que chega a 30% dos pacientes.

A infecção da chikungunya é tida como um desafio para a Secretaria Estadual de Saúde (SES). Segundo o infectologista Rivaldo Venâncio, da Fiocruz, a doença, que traz febre, dor intensa nas articulações e manchas vermelhas na pele, tem grande facilidade de transmissão. "A chance de um mosquito infectado encontrar uma pessoa sem anticorpos é gigantesca. A maioria da população está vulnerável, é um vírus novo", afirmou Rivaldo. "Precisamos agora em dezembro e janeiro reduzir a população de mosquitos para evitar a epidemia", acrescentou Alexandre Chieppe, da SES.

O controle do Aedes também tem influência direta na dengue, que já apresentou diversos surtos no Rio, como em 2015, e voltou a aumentar. Em contrapartida, a zika, teve redução de 9% nos casos e nenhuma morte em 2018.

Chieppe enfatiza que as secretarias municipais preparam um plano de contingência para as enfermidades, com reforço na conscientização da população, mobilização das equipes nas áreas de maior transmissão e capacitação dos profissionais de saúde. "É essencial, no entanto, o cidadão cuidar da sua casa e conversar com vizinhos para não deixar água parada", disse o médico. Cerca de 80% dos focos do mosquito são detectados em imóveis residenciais.

Campo Grande lidera no Rio

A auxiliar de serviços gerais Fernanda da Silva, de 30 anos, teve chikungunya em abril e ficou quatro dias sem conseguir andar por conta da dor. Até hoje, ela sente dores nas mãos e pés, e não pode mais usar salto alto.

Moradora de Campo Grande, bairro da capital com maior incidência das doenças transmitidas pelo Aedes, Fernanda reclama das ações no local. "Dois vizinhos meus também tiveram. Os agentes de saúde e o carro do fumacê precisam voltar a circular", disse. Dos 8.268 casos no município até outubro, 1.794 aconteceram no bairro.

No caso da febre amarela, que apresentou 262 ocorrências este ano, sendo 84 óbitos, a atenção é com a imunização. "A vacina continua sempre disponível nos 92 municípios, e precisamos que as pessoas procurem. É uma doença que mata muito, mas é prevenível através da vacina", explicou Chieppe.

A maior proliferação do mosquito Aedes acontece até abril, por conta das chuvas e calor. "Temos que preparar o estado para enfrentar esse cenário epidemiológico. No caso da chikungunya, pensar em um centro de hidratação com analgesia, em leitos em hospitais para casos graves, especialmente para pediatria", pontuou o infectologista da Fiocruz.

*Estagiária sob supervisão de Luiz Almeida

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