O soldado da PM Cleiton de Oliveira Guimarães (E) pagou R$ 50 a José Eduardo Elian (D) antes de matá-lo
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O soldado da PM Cleiton de Oliveira Guimarães (E) pagou R$ 50 a José Eduardo Elian (D) antes de matá-lo Reprodução
Por ADRIANO ARAÚJO
Publicado 20/12/2018 11:04 | Atualizado 20/12/2018 18:32

Rio - O soldado da PM Cleiton de Oliveira Guimarães, lotado em uma na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na Zona Norte, que poderia ter resolvido uma simples discussão de trânsito na manhã desta quinta-feira, matou com pelo menos seis tiros o farmacêutico José Eduardo Elian, de 46 anos, na Avenida Brasil, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Guimarães foi preso em flagrante na UPP Nova Brasília, onde chegou para trabalhar como se nada tivesse acontecido. Ele recebeu voz de prisão e foi levado pelo próprio comandante para a Delegacia de Homicídios (DH-Capital), responsável pela investigação.

O Astra de Guimarães bateu na moto Yamaha XTZ 205 de Elian durante um engarrafamento. Houve um bate-boca e a vítima chegou a propor que o PM pagasse apenas R$ 50. O soldado concordou e deu o dinheiro. Em seguida, ele foi até o carro, pegou a sua pistola calibre 380 e atirou contra o motociclista. Segundo o Batalhão de Policiamento de Vias Expressas (BPVE), o crime aconteceu na pista central em direção ao Centro da Avenida Brasil.

Farmacêutico foi morto por PM após acidente de trânsito - Reprodução

Guimarães estava em um Astra cinza, modelo de 2005. Após fazer pelo menos seis disparos contra Elian, ele fugiu da cena do crime. A vítima morreu no local. O homem que estava em sua garupa da moto de Elian não ficou ferido.

A Delegacia de Homicídios (DH-Capital) realizou perícia na cena do crime e recolheu três cartuchos de pistola calibre 380. O PM foi autuado pelo crime de homicídio duplamente qualificado (motivo fútil e uso de meio que impossibilitou a defesa da vítima). Por ser um policial militar o atirador, a 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) também vai apurar o caso. Após depoimento, ele seguirá para o Batalhão Especial Prisional (BEP) da corporação, em Niterói. 

Farmacêutico trabalhava em Clínica da Família

José Eduardo Elian morava em Campo Grande e trabalhava há cinco anos na Clínica da Família Sylvio Frederico Brauner, em Costa Barros, sendo muito querido pelos moradores da região. O garupa da moto era o técnico de farmácia Marcos Vinícius Pereira de Oliveira, de 29 anos, que sempre pagava carona para o serviço com a vítima. Ao DIA, ele contou como foram os instantes que antecederam a morte. 

"Estávamos no corredor, quando o carro do policial saiu e fechou a gente. Caímos, levantamos e fomos conversar com o motorista do carro. Do nada começou uma discussão. A única coisa que o meu amigo pediu foi que ele desse o dinheiro (R$ 50,00) para consertar o retrovisor e a manete que tinha quebrado, que ficaria tudo certo e não teria problema. Nisso, ele deu o dinheiro, foi no carro, pegou a arma e disparou. Não houve discussão. Ele não falou nada antes de disparar. Na hora dos disparos eu me escondi no canteiro central. Depois disso ele fugiu”, relata o sobrevivente, dizendo que ainda não acredita no que aconteceu.

"Minha cabeça está a mil. O Eduardo ajudava todo mundo. No trabalho, em casa. Era uma ótima pessoa”, conta. "O fato de ele estar preso não me conforta, pois a vida do meu amigo se foi. Mas, com ele aqui (preso na DH), não vai fazer isso com outro inocente. A polícia deveria ajudar e não matar”, lamentou o homem.

PM tentou matar outra pessoa após briga no trânsito este ano

No dia 28 de junho, o PM Cleiton Guimarães já tinha tentando matar uma outra pessoa, também em uma briga de trânsito. O caso aconteceu em Santa Cruz, na Zona Oeste. Segundo informações, ele atirou duas vezes contra a vítima, que foi atingida no ombro e no antebraço, mas sobreviveu. Ele vinha sendo investigado pela Polícia Civil desde então. Entretanto, a Polícia Militar não o puniu e ele continuou trabalhando normalmente. A PM não comentou porque não puniu o soldado. O DIA apurou que na ficha do soldado há quatro registros em que ele é o autor: dois são por lesão corporal, um por ameaça e o quarto pela tentativa de homicídio na briga de trânsito em Santa Cruz.

O porta-voz da PM, major Ivan Blaz, disse que quando Guimarães atirou e matou José Eduardo "o soldado destruiu sua família e a família da vítima". Blaz classificou a discussão como 'boba' e 'desnecessária' e afirmou que essa não é a conduta que se espera de agentes militares. "Muito provavelmente, ele sera condenado pela justiça comum e expulso da Polícia Militar", afirmou o porta-voz.

Corpo só foi recolhido quase seis horas depois

A Defesa Civil só retirou o corpo de José Eduardo Elian por volta de 12h50, quase seis horas deopis do crime. Os dois filhos do farmacêutico e a mulher estiveram no local do crime. A esposa de José Eduardo ficou sabendo da morte do companheiro pelas redes sociais. A mulher passou mal e precisou ser amparada por parentes. "Por vezes o meu pai trabalhou com o salário atrasado só para ajudar as pessoas. Ele sempre foi o meu exemplo de vida. A ficha ainda não caiu", disse Eduardo Elian, um dos filhos do homem.

Motociclista foi morto por motorista de carro na Avenida Brasil, em Bangu, após briga de trânsito - WhatsApp O DIA (98762-8248)

 

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