Matheus dos Santos Lessa tinha 22 anos - Arquivo Pessoal
Matheus dos Santos Lessa tinha 22 anosArquivo Pessoal
Por RAFAEL NASCIMENTO

Rio - O universitário Matheus dos Santos Lessa, de 22 anos, morto por assaltantes, lutou com os criminosos armados para defender a mãe durante uma tentativa assalto ao mercado da família em Guaratiba, na Zona Oeste, na noite desta terça-feira. O pai da vítima esteve no Instituto Médico Legal e lamentou a perda do filho, muito querido por todos. "Ele era muito prestativo e trabalhador. Um menino muito querido na loja. Todo mundo gostava dele", disse Luciano Lessa. A Polícia Civil já tem imagens de câmeras que mostram os suspeitos do crime. Eles não levaram nada.

Segundo um primo da família, Carla Lessa pediu para o filho para ir para os fundos do local quando ambos perceberam a ação, mas ele notou a dupla nervosa e tentou intervir quando a mãe virou alvo, sendo baleado no pescoço, no antebraço e na mão direita. 

"Ele é o caçula de três irmãos, era muito inteligente e queria lidar com as pessoas, por isso fazia psicologia. Os pais estão arrasados. Estive com eles ontem (terça) e a minha prima (mãe da vítima) me contou como foi", narrou Eduardo Cesar, 47 anos, que também era primo de Matheus. O crime ocorreu por volta das 18h30.

"Segundo ela, o Matheus ainda chegou a comentar que eles seriam assaltados (quando ele viu os bandidos, que estavam de chinelo). Então, a mãe mandou ele ir pra trás do mercado. Eles anunciaram o assalto e estavam agressivos, então ele (o Matheus) foi para cima dos criminosos. Houve a briga, e ele foi baleado. O que mais dói é tirarem a vida de um garoto que tinha tudo pela frente", lembra o homem, que também comerciante.

Mercado amanheceu fechado nesta quarta-feira. Funcion - Severino Silva/Ag

A Polícia Civil já tem imagens de câmeras de segurança que mostra a movimentação dos suspeitos do crime na região. O mercado não tinha câmeras de vigilância, e o circuito interno dos vizinhos estava desligado. Entretanto, imagens de ruas próximas do local foram colhidas e analisadas. 

A família de Matheus tinha o mercado há anos em Guaratiba, mas moravam em Campo Grande, na Zona Oeste. O estudante cursava psicologia em uma universidade na Barra da Tijuca e costumava não estar naquele horário, mas estava de férias e ajudava a mãe no estabelecimento. A área é dominada pela milícia, segundo a polícia.

Vigília no local do crime

Nesta manhã, o mercado de Eduardo foi o ponto de peregrinação de amigos e conhecidos para saber onde será o enterro de Matheus. Entretanto, ainda não há informações sobre o local do velório e enterro. No local do crime, funcionários se ajoelharam, rezaram, acenderam velas e deixaram uma flor. Um cartaz diz: "Muita luz, Matheus, Deus cuide de você e sua família. Por motivos de falecimento, o estabelecimento estará fechado hoje", avisa. 

Amigos acendem velas na porta do supermercado onde Matheus dos Santos Lessa, 22 anos, morreu baleado quando tentava defender a m - Severino Silva/Ag

Segundo moradores do local, não foi a primeira vez que o comércio foi assaltado. O último roubo aconteceu em dezembro do ano passado. "No último assalto eles levaram todo o dinheiro. É sempre da mesma forma: chegam em dois, entram como se fossem clientes e levam tudo”, disse a professora Rita Maimone, de 51 ano,s e que conhecia Matheus e seus pais.

De acordo com a professora, na terça pela manhã, dia do crime, ela chegou a brincar com Matheus durante sua ida ao local para comprar pão. "Eu ainda perguntei para ele: 'Tenho mesmo que pagar'? E ele riu", lembra, emocionada, Rita.

O serralheiro André Hermínio Vieira, 45, que mora em frente ao local do crime, conta que chegou do trabalho minutos depois do crime e que a mãe do rapaz estava muito desesperada. "Foi uma movimentação muito grande de pessoas e ele já estava agonizando. Mesmo socorrido, eles não resistiu", disse. "O Matheus sempre foi muito batalhador. Trabalhava durante a manhã e estudava à tarde. Aqui sempre foi um lugar pacífico e tem se tornado um espaço muito perigoso", completou.

Comerciantes reclamam assaltos

Quem mora na região diz que nos últimos tempos tem sido comum assaltos a qualquer hora do dia. Uma das vítimas foi o comerciante José Antônio de Souza, 61. O homem conta que estava em seu bar, no último domingo, quando dois homens chegaram, o renderam e levaram dinheiro que estava no caixa.  Além dos celulares e pertences dele, da esposa e dos clientes que estavam no local.

"Moro aqui há 30 anos. Trabalhei a vida toda e no ano passado me aposentei. Abri o bar para não ficar sem fazer nada e há 15 dias fui assaltado. É lamentável pois estamos abandonados", diz.

Moradores e comerciantes da região contam que existem apenas três viaturas da PM para patrulhar a região de Sepetiba, Guaratiba, Magarça e Briza.

 

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