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Polícia Civil e MP prendem milicianos 'intocáveis' na Zona Oeste do Rio

Ente os cinco capturados, um é suspeito de envolvimento na morte de Marielle, diz governador Witzel

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O major Ronald Paulo Alves Pereira foi um dos presos na Operação Os Intocáveis
O major Ronald Paulo Alves Pereira foi um dos presos na Operação Os Intocáveis -

O Ministério Público e a Polícia Civil deflagraram, ontem, a operação 'Os Intocáveis' contra integrantes das milícias que atuam em Rio das Pedras, Muzema e outras localidades de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. Cinco pessoas foram presas. Oito continuam foragidos. No começo da noite, o governador Wilson Witzel publicou no seu perfil do Twitter a informação de que uma das pessoas capturadas é suspeita de envolvimento no assassinato da vereadora do Psol Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes, em março do ano passado. Witzel não revelou, no entanto, a identificação do envolvido.

Entre os presos ontem, está o major PM Ronald Paulo Alves Pereira, conhecido como Tartaruga. Lotado na Diretoria Geral de Pessoal da corporação, o oficial é apontado como chefe da milícia da Muzema e grileiro nas regiões de Vargem Grande e Vargem Pequena. Também foi capturado o tenente da reserva Maurício Silva da Costa, o Maurição, que, segundo as investigações, é um dos líderes da milícia em Rio das Pedras. O ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, expulso da corporação em 2014, está foragido, assim como o presidente da Associação de Moradores de Rio das Pedras, Jorge Alberto Moreth, o 'Beto Bomba'.

A operação mobilizou nada menos do que 156 policiais militares e civis, em mais de 50 viaturas. Eles ocuparam a favela de Rio das Pedras logo nas primeira horas da manhã. Além do major e de Maurição, foram presos o agiota Laerte Silva de Lima; Manoel de Brito Batista, o Cabelo; e Benedito Aurélio Ferreira Carvalho, o Aurélio.

Uma das coordenadoras da operação, a promotora Simone Sibilio, disse que não descarta o envolvimento dos suspeitos investigados no assassinato de Marielle Franco, já que eles fariam parte de um grupo de matadores de aluguel conhecido como "Escritório do Crime". No ano passado, o major Ronald e o ex-capitão Adriano chegaram a prestar depoimento na Delegacia de Homicídios como testemunhas desse caso.

"Todos os presos serão ouvidos com o objetivo de colaborar com outras investigações. A gente não descarta a participação deles no crime da Marielle, mas não podemos afirmar nada neste momento", afirmou a promotora.

Grilagem

Na operação de ontem, foram apreendidos R$ 56 mil, cerca de 200 cheques com valores superiores a R$ 10 mil, carros de luxo, documentos e armas. Entre os crimes praticados pelos milicianos constam grilagem, construção, venda e locação ilegais de imóveis; homicídios, extorsão, receptação e agiotagem.

Além disso, documentos comprovam que moradores eram obrigados a alugar determinadas casas e, se precisassem de empréstimos, não podiam pegar em bancos ou empresas especializadas. Os moradores eram forçados a contratar os créditos junto à associação de moradores. Em um dos documentos, o MP encontrou uma pessoa que fez um empréstimo de R$ 100 mil a juros de 6% ao mês.

Em outro comprovante, os policiais encontraram os nomes de pelo menos 20 pessoas que alugavam casas e apartamentos dos milicianos. De acordo com as provas, todas as operações de compra e venda de imóveis passavam pelo crivo da Associação de Moradores de Rio das Pedras.

O Major Ronald é réu no caso que ficou conhecido como 'Chacina da Via Show', crime que aconteceu em dezembro de 2003. Na ocasião, quatro jovens foram assassinados por PMs na saída da casa de espetáculos em São João de Meriti. O julgamento dele está marcado para abril.

 

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O major Ronald Paulo Alves Pereira foi um dos presos na Operação Os Intocáveis Luciano Belford/Agência O Dia
Benedito Aurélio também foi preso e levado para Cidade da Polícia Luciano Belford/Agência O Dia
Justiça mandou prender também o suposto agiota Laerte Silva Luciano Belford/Agência O Dia
O major da PM Ronald Paulo Alves Pereira é apontado como chefe da milícia na Zona Oeste. Luciano Belford/Agência O Dia

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