'Ação legítima', afirma Witzel sobre mortes em operação da PM no Fallet

Moradores denunciam que policiais torturaram suspeitos. MPRJ investiga ação da polícia

Por O Dia

Confronto entre policiais e bandidos deixou 13 mortos nos morros Fallet, Fogueteiro e Prazeres
Confronto entre policiais e bandidos deixou 13 mortos nos morros Fallet, Fogueteiro e Prazeres -

Rio - O governador do estado Wilson Witzel usou as redes sociais, na noite desta quarta-feira, para defender a ação da Polícia Militar no Fallet Fogueteiro. De acordo com a Defensoria Pública, 15 suspeitos foram mortos, na última sexta-feira, na comunidade e nos morros da Coroa e Prazeres, em Santa Teresa e no Catumbi, na Região Central da cidade. Moradores denunciam que policiais torturaram os suspeitos mesmo após rendição. 

"Aproveitei para reafirmar minha confiança na nossa PMERJ e dizer que a ação no Fallet Fogueteiro foi uma ação legítima da polícia para combater narcoterroristas que colocam em risco a vida da nossa população", declarou o governador, que  aparece ao lado do Coronel Figueredo, secretário estadual de Polícia Militar do Rio. 

"Não vamos admitir mais qualquer bandido usando arma de fogo de grosso calibre, fuzis, pistolas, granadas, atentando contra nossa sociedade. Parabéns ao Comandante Figueredo", disse acenando para o secretário da PM. 

Segundo a Defensoria, sete pessoas foram mortas dentro de uma casa, dois irmãos em outra e outros dois irmãos numa terceira casa, todas no Fallet. Um outro homem foi morto na comunidade do Fogueteiro e mais um nos Prazeres. No domingo, dois foram encontrados na mata. "Quinze pessoas mortas numa operação policial não pode ser comemorado, precisa ser apurado e investigado como foi esse procedimento", declarou o ouvidor da Defensoria, Pedro Strozemberg.

O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) do Ministério Público do Estado vai ouvir ainda nesta semana os comandantes dos batalhões de Choque e do Bope, que participaram da ação. O caso está sob responsabilidade da 23ª Promotoria de Investigação Penal, que está sendo auxiliada pelo Gaesp. O grupo vem recebendo informações, desde sexta-feira, que irão ajudar na investigação sobre a ação da PM.

A Delegacia de Homicídios (DH) da Capital abriu cinco inquéritos para investigar as mortes nos morros dos Prazeres e Fallet.

A PM  informou, na sexta, que o objetivo da operação era a disputa de facções pelo tráfico local e, que a partir de denúncias e informações do Setor de Inteligência, foi feito vasculhamento em alguns pontos da comunidade do Fallet e policiais do BPChq haviam sido recebidos a tiros, o que teria causado confronto.

Parlamentares divergem sobre ação da PM na Alerj

Em seu discurso na Alerj nesta terça-feira, a deputada estadual Renata Souza (Psol), criticou diretamente a proposta do deputado Rodrigo Amorim (PSL) de homenagear os militares envolvidos na operação."Policiais não são justiceiros, são homens do estado a serviço da civilização e não da barbárie. Justiça não pode ser confundida com vingança", disse.

"Uma polícia que mata fora dos limites estabelecidos pelas leis, trai o estado de direito. É preciso concluir as investigações antes de prestar qualquer homenagem. O fato ainda está sendo apurado", explicou Renata.

Amorim propôs uma moção de congratulações e aplausos na Casa para os militares. No ano passado, ainda em campanha eleitoral, o parlamentar quebrou uma placa com o nome da vereadora Marielle Franco, que foi executada ao lado do motorista Anderson Gomes em março. O governador do estado Wilson Witzel e o deputado federal Daniel Silveira também participaram do ato em Petrópolis.

"Foi uma ação precisa. Os policiais devolveram a paz ao local", afirmou Amorim. "Eles apreenderam armas e drogas", completou.

Sobre os possíveis abusos da PM, Rodrigo que toda ação é passível de investigação. "Sou um legalista, sou a favor de toda apuração, mas é preciso reconhecer a atividade policial. A polícia sempre terá meu apoio."

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