Maquinista ficou preso mais de sete horas entre ferragens de trens da SuperVia que colidiram na estação de São Cristóvão - Estefan Radovicz/Agência O Dia
Maquinista ficou preso mais de sete horas entre ferragens de trens da SuperVia que colidiram na estação de São CristóvãoEstefan Radovicz/Agência O Dia
Por RAFAEL NASCIMENTO

Rio - Após quase oito horas, foi resgatado às 14h34 o maquinista que estava presos às ferragens dos trens da SuperVia que colidiram em São Cristóvão, na manhã desta quarta-feira. Mais de 30 bombeiros de três quarteis trabalhavam para retirar Rodrigo Assumpção dos ferros retorcidos da colisão e o fim do socorro foi com aplausos e abraços entre os militares, visivelmente emocionados. Depois de retirado do vagão, a vítima teve uma parada cardíaca e começou a ser reanimada ainda no local, passando por massagem cardíaca. 

As equipes montaram um esquema para retirar Rodrigo pelos trilhos, suspendendo inclusive a circulação dos trens que passavam, mas o socorro foi interrompido após ele sofrer a parada cardíaca. Os militares se revezam na tentativa de manter vivo o maquinista e as manobras de reanimação já duram 30 minutos. 

Militares tentam reanimar maquinista após ele ter uma parada cardíaca. Ele ficou quase oito horas preso nas ferragens dos trens que colidiram em São Cristóvão - Agência O Dia

No início do socorro, uma das primeiras medidas adotadas ao maquinista foi colocar uma balão de oxigênio para que ele conseguisse respirar naquela situação. A vítima, que ficou presa por 7h44 nas ferragens, estava acordada e conversava com os militares durante o resgate. Os bombeiro usam, a todo o momento, maçarico para cortar os ferros. Os agentes estão serrando por debaixo do trem e estão tendo dificuldades.

Mesmo após horas de trabalho, uma peça bem pesada ainda permanecia sobre o corpo do maquinista, o que aumentava o cuidado dos militares. Os bombeiros tiveram dificuldade para retirar a estrutura de cima dele. A prioridade era cortar o objeto e liberar o espaço para seu salvamento.

Outras oito pessoas ficaram feridas, sete delas foram socorridas no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro: Luiz Thiago Mendes Machado, 31 anos; Isabel C. de Paula, 44 anos; Sandro Ricardo Moreira, 43 anos; João P. Corrêa, 62 anos; Ângela F. Viana, 57 anos; Cesário Batista S. Cardoso, 52 anos; Fabio L. Abreu, 50 anos. De acordo com a Secretária Municipal de Saúde (SMS), todos os pacientes já foram liberados.

Ainda segundo a SMS, uma outra vítima, identificada como Luciana do J. Leal, 42 anos , foi levada para o Hospital Salgado Filho, no Méier, Zona Norte. No entanto, a mulher deixou a unidade de saúde por vontade própria.

GALERIA: Veja imagens do grave acidente

A diarista Andréia Mathias, de 43 anos, estava no último vagão do trem que bateu, e chegou a cair no chão por causa da colisão. "Muita gente se assustou com o barulho e a gente começou um a ajudar o outro. Eu só cai. Graças a Deus foi um grande livramento", relembra ela, que embarcou na Central e iria soltar em São Cristóvão, dizendo que o trem não estava cheio.

Controladores teriam autorizado trem seguir viagem

Os sinais das linhas da SuperVia entre as estações Central do Brasil e São Cristóvão estariam verdes momentos antes da colisão entre dois trens, na manhã desta quarta-feira. Isso indica que o maquinista que bateu na outra composição teve a permissão dos controladores de tráfego para seguir viagem, até que aconteceu o acidente. As informações são de funcionários da concessionária ouvidos pelo DIA, que não quiseram se identificar.

O choque entre os trens aconteceu em São Cristóvão, pouco antes das 7h. Um trem de passageiros que vinha da Central, em direção a Deodoro, bateu em outro que estava parado na estação. Nove pessoas ficaram feridas, dentre elas um maquinista, que ficou preso às ferragens.

As mesmas fontes ouvidas pelo DIA contaram que o trem que foi atingido estaria com problemas técnicos e ficou parado em São Cristóvão por muito tempo. O maquinista deste não teria avisado ao controle de tráfego que continuava na estação, até que foi atingido pelo outro tem.

Witzel fala em investigação

O governador Wilson Witzel informou que a Secretaria Estadual de Transportes, juntamente com a SuperVia, vão investigar o acidente. "Vamos tomar as providências necessárias para que não aconteça mais. Foi um acidente lamentável, que aparentemente demonstra que houve um grave erro da empresa. A companhia será devidamente investigada e multas serão aplicadas, entre outras providências. Não pode e nem vai acontecer novamente", disse Witzel.

SuperVia lamenta morte de maquinista

Em nota, a SuperVia lamentou o falecimento do maquinista. "Rodrigo da Silva Ribeiro Assumpção era funcionário da SuperVia desde 2011, quando passou por vários treinamentos para assumir a função de maquinista, que desempenhava havia cinco anos. Ele era casado e tinha dois filhos. A SuperVia está prestando toda assistência à família", disse a concessionária no texto.

"No acidente, oito pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas aos hospitais da região. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a maioria delas já foi liberada. Os dois trens envolvidos no acidente, assim como a linha 1, do ramal Deodoro, estavam equipados ATP (Automatic Train Protection), sistema que reforça a sinalização. A concessionária instaurou uma sindicância, que vai apurar as causas do acidente no prazo de 30 dias", finalizou.

Termo de Ajustamento de Conduta

"Procurada pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, a SuperVia assinou hoje o Termo de Ajustamento de Conduta como forma de buscar a reparação individual e coletiva dos danos provocados pelo acidente. De acordo com o TAC, as vítimas terão 120 dias para buscar a reparação e precisam comprovar o dano ou terem procurado atendimento em uma unidade pública de saúde, entre hoje e amanhã (28/02). Para maiores informações, as vítimas podem entrar em contato com a concessionária por meio do SuperVia Fone 08007269494 ou a Defensoria Pública, pelo número 21 28682100/ ramal 297 ou o e-mail [email protected] A SuperVia também vai distribuir 30 mil bilhetes para os passageiros do ramal Deodoro, nos próximos 30 dias, como medida de reparação coletiva e passará a integrar um grupo de prevenção de acidentes, a ser criado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro", finalizou a SuperVia.

 

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