O Rio se despede de Alfredinho do Bip Bip

Velório acontece nesta segunda-feira no próprio bar, em Copacabana

Por *Felipe Rebouças

Alfredinho no Bip Bip
Alfredinho no Bip Bip -

Rio - O corpo de Alfredo Jacinto Melo, o Alfredinho, é velado desde às 8h desta segunda-feira, em seu estabelecimento, o Bip Bip, na Rua Almirante Gonçalves, 50, em Copacabana. Reconhecido pela militância a favor da arte popular, ele dirigia o bar fundado em 13 de dezembro de 1968, dia em que foi assinado o AI-5. O reduto da boemia carioca se mantém até hoje como palco de resistência política. Neném, como era chamado pelos mais íntimos, tinha 75 anos e morreu em casa, enquanto dormia, no mesmo bairro.

Ainda hoje, após a cerimônia que deve contar com a presença de políticos, jornalistas, artistas e sambistas que frequentavam rotineiramente o local na presença de Alfredinho, o caixão será levado para o Cemitério São João Batista, em Botafogo. O sepultamento do corpo está marcado para ocorrer às 16h.

Solteiro e sem filhos, o comandante do Bip Bip desde 1984 criou uma família de adoradores ao longo de mais de três décadas à frente do bar. Nascido em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, Alfredinho torcia para a Mangueira na avenida e para o Botafogo nos gramados. Detinha uma maneira despojada de levar o negócio e carregava fama lendária de ranzinza.

Mas por trás dessa figura existia um homem solidário e de grande generosidade, segundo os amigos mais próximos, sempre disposto a ajudar as famílias pobres e aconselhar músicos iniciantes. "O Rio perdeu um anjo. O brasil perdeu mais um sonhador, um cara que excedia em solidariedade", afirmou Mauceu Vieira, jornalista e amigo íntimo de Alfredinho.

Nas redes sociais, diversas personalidades do mundo da música e da política lamentaram a morte de Alfredinho.

"Um dia triste. Acabo de saber que o grande Alfredinho do Bip nos deixou. Não há palavra que defina esse gigante chamado Alfredinho. Sua voz rouca há de ecoar nas nossas mentes por muito tempo. Descanse em paz, meu querido", registrou a sambista Teresa Cristina.

"Tinha que ser num sábado de carnaval, Alfredinho?", questionou o deputado Marcelo Freixo, que chamou o amigo de "figura singular" e "símbolo carioca". O parlamentar questionou ainda "como serão as rodas de samba sem sua voz rouca mandando as pessoas calarem a boca? Dizendo que da outro lado da rua tinha um bar melhor e que tinha até televisão! Figura! Como temos que te agradecer, Alfredinho".

"Lá se foi um bravo da resistência carioca. Aos céus blasfemei contra tudo isso q está aí. Descanse em paz, Alfredinho", escreveu o jornalista Xico Sá.

*Estagiário sob supervisão de Martha Imenes

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