No Rio, partidos se mobilizam por disputa municipal de 2020

Apoio do governador Wilson Witzel, cobrado pelo PSL, ainda é incerto

Por Maria Luisa de Melo

Crivella faz alianças por reeleição
Crivella faz alianças por reeleição -

A eleição municipal para a escolha de um novo prefeito e de novos vereadores será só no segundo semestre de 2020, mas os partidos já estão definindo seus pré-candidatos e buscando apoio. Pelo menos oito nomes estão cotados para assumir a disputa pela administração municipal do Rio. Além do atual prefeito Marcelo Crivella (PRB), que já anunciou sua tentativa à reeleição, Marcelo Freixo (Psol), Clarissa Garotinho (Pros), Romário (Podemos), Pedro Fernandes (sem partido) e Rodrigo Amorim (PSL) são esperados para concorrer ao cargo.

Na tentativa de se manter na cadeira de prefeito, Crivella cercou o Partido Progressista (PP) e, em negociação com o cacique da legenda Francisco Dornelles (PP), cederá as secretarias de Meio Ambiente e Turismo, em troca de apoio.

"Acredito que nos próximos meses, conversemos com os partidos que compartilhem e entendam que o melhor para o Rio é a reeleição do prefeito. Desta forma, creio que a questão vá avançar", destacou Eduardo Lopes, presidente estadual do PRB.

Com a intenção de criar uma 'frente progressista' em torno de sua candidatura, o deputado federal Marcelo Freixo (Psol) tenta aliança comPDT, PC do B e PT. Este último, pode lhe render o segundo maior tempo de TV da campanha. Afinal, o Partido dos Trabalhadores detém a segunda maior bancada na Câmara Federal."Precisamos de um grupo forte para enfrentar os fascistas", provocou Freixo, que diz já ter o apoio do PT.

Deputado estadual mais votado no último pleito, Rodrigo Amorim (PSL) também já se manifestou sobre a possibilidade de representar o partido na disputa. O PSL foi decisivo na eleição do governador Wilson Witzel (PSC), apoiado pelo senador e presidente estadual do PSL, Flávio Bolsonaro. Agora, o partido de Bolsonaro cobra uma retribuição do governador.

"A decisão passa pelo Flávio, de quem sou obediente soldado, e deverá contar com o apoio de Witzel", disse Rodrigo Amorim. Pessoas ligadas ao presidente Bolsonaro garantem que ele não se envolverá diretamente na campanha, assim como fez na última eleição, para governador e deputados estaduais. Assim, a decisão pelo nome que representará a legenda caberá a Flávio Bolsonaro.

Filha do ex-governador Anthony Garotinho, ex-apoiador de Marcelo Crivella, a deputada federal Clarissa Garotinho (Pros) ampliou seu poder na legenda. Será anunciada, esta semana, como presidente estadual do partido, cadeira hoje ocupada pelo secretário de Witzel, Felipe Bornier.

A tentativa de reforço para o Pros deve vir do pai de Clarissa. Inelegível, o ex-governador Anthony Garotinho já foi convidado pelo mandatário do partido."Só falta ele me responder", limitou-se o presidente nacional do Pros, Eurípedes Junior. Irmão de Clarissa, o deputado federal Wladimir Garotinho também foi cercado pela legenda. Mas não se juntará ao Pros.

Pedro Fernandes, filho de uma das vereadoras mais bem votadas da cidade, Rosa Fernandes, também é cotado para a disputa. A dúvida ainda é por qual partido. Ele deixou o MDB no ano passado, por não ter espaço para concorrer ao governo. Foi para o PDT, mas logo deixou a sigla por apoiar Witzel, desobedecendo a orientação do partido.

Derrotado nas duas últimas eleições (para governador no ano passado e como apoiador de Pedro Paulo para a prefeitura em 2016), Paes foi citado como possível pré-candidato por membros de seu partido, o DEM. Mas a informação não foi confirmada pelo ex-prefeito. Outro que deve estar presente na disputa, mais uma vez, é Indio da Costa (PSD).

O ex-jogador Romário continua sendo o principal nome do Podemos para concorrer à cadeira de prefeito. É o que garante Marco San, secretário-geral do partido no Rio de Janeiro. Segundo San, a chegada de cabo Daciolo à legenda não afetará o reinado do Baixinho.

"Daciolo será um importante reforço para o partido, mas Romário continua sendo nosso camisa 11, goleador", disse ele ao ser questionado sobre o enfraquecimento político de Romário, na eleição do ano passado, quando concorreu ao Palácio Guanabara e não chegou ao segundo turno.

À deriva, MDB busca reestruturação

Cada dia mais fragmentado com seus líderes presos em desdobramentos da Operação Lava-Jato, o MDB tenta recuperar seu fôlego. O partido ainda não tem um nome para concorrer ao pleito municipal e tenta se organizar internamente.

A manutenção de Leonardo Picciani como presidente estadual da sigla é incerta. Sua saída é exigida por integrantes do partido, sob ameaça de abandonar a legenda. O deputado Max Lemos é um dos que está pulando do barco.

O espólio do MDB no estado não é pouca coisa. A sigla tem 23 prefeituras.

De sua modesta bancada de cinco deputados estaduais na Alerj, quatro devem disputar prefeituras do estado. Max Lemos tentará abocanhar o comando de Nova Iguaçu. Franciane Motta, mulher do deputado estadual preso Paulo Melo (MDB) tentará se eleger prefeita de Saquarema, reduto eleitoral do casal. Gustavo Tutuca brigará pela Prefeitura de Volta Redonda e Márcio Canella pela de Mesquita.

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