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Morte de ciclista na Barra expõe fragilidades no trânsito

O empresário Artur Sales foi atropelado por um ônibus de turismo, na manhã de ontem, durante prática esportiva

Por *O DIA

Local onde aconteceu o acidente: devido à velocidade da atividade esportiva que praticava, Artur (no detalhe) não podia usar a ciclovia
Local onde aconteceu o acidente: devido à velocidade da atividade esportiva que praticava, Artur (no detalhe) não podia usar a ciclovia -

Rio - Um dos maiores desafios enfrentados pelos ciclistas na cidade é a segurança no trânsito. Ontem, o empresário Artur Sales morreu após ser atropelado por um ônibus de turismo da Viação Três Amigos, quando pedalava pela Avenida Abelardo Bueno, na Barra da Tijuca. Em levantamento feito pelo DIA, nos últimos 12 meses, pelo menos dez ciclistas morreram em todo o Estado do Rio vítimas de acidentes.

O caso do empresário aconteceu por volta das 7h. Ele praticava o ciclismo esportivo com outros cinco amigos quando foi atropelado. O motorista do empresário, Alexandre Prado, disse que Artur foi fechado pelo coletivo, se desequilibrou, caiu e foi atingido pela parte traseira do veículo. "Se o ônibus tivesse parado, não teria nada disso", lamentou.

Apesar de o local do acidente possuir ciclovia, o grupo precisava utilizar a rua porque uma lei municipal limita a velocidade máxima para circulação na faixa exclusiva, em 20 km/h. Segundo amigos, o empresário costumava praticar a atividade física de forma amadora pelo menos três vezes por semana. Nesses trajetos, ele chegava a percorrer, em média, 80 km por dia.

"Ali era uma parte aberta, era só o ônibus esperar 10 segundos para a gente passar e ele parar atrás. Mas ele motorista já vinha fazendo besteira desde lá de trás. Dois amigos meus passaram imprensados. Cadê o 1 metro e meio de distância que é determinado por lei?", questiona Roberto Vitória, dono da BV Assessoria Esportiva de Ciclismo, responsável pelos treinamentos de bicicleta.

De acordo com o artigo 201 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), todos os veículos devem manter a distância mínima de 1,5 metro quando ao passar ou ultrapassar bicicleta. O descumprimento dessa norma implica em infração média e multa.

A Três Amigos lamentou o ocorrido e informou que presta os esclarecimentos legais sobre o caso. Ressaltou ainda que o motorista respeitava a velocidade da via e acionou o socorro.

Para Raphael Pazos, um dos fundadores da Comissão de Segurança no Ciclismo da Cidade do Rio de Janeiro, a falta de padrão para registrar os acidentes com ciclistas dificulta a criação de medidas de segurança e infraestrutura. "Quando um ciclista é atropelado, não há documento padrão dos agentes que fazem o atendimento. Se a PM faz um atendimento no local e coloca como atropelamento a transeunte, fica impossível gerar uma estatística", contestou.

Um ato contra a violência no trânsito foi marcado por amigos para o próximo domingo, às 18h, no local onde ocorreu o acidente. O empresário deixa uma filha de três anos e a mulher, grávida de sete meses.

Irregularidades criam rotina arriscada na cidade

Embora o Rio seja a terceira capital brasileira em malha cicloviária, com 450 km, infrações de todos os lados fazem parte da rotina da cidade. A reportagem flagrou dezenas de irregularidades na tarde de ontem. Na Rua das Laranjeiras, no bairro de mesmo nome, uma van escolar fez o embarque de cerca de dez crianças sobre a ciclovia, colocando todos em risco. Um carro e um táxi também estacionaram sobre a faixa exclusiva. Motocicletas e muitos pedestres invadiam a pista.

Na Rua do Acre, no Centro, ciclistas foram vistos trafegando na contramão ou entre carros e ônibus. De acordo com o CTB, quando não há ciclovia, a bicicleta deve circular pelos cantos da rua e no sentido do trânsito. Há quem desrespeite a lei mesmo conhecendo as regras, passíveis de multa, e falta fiscalização. "No meu caso, eu vim na contramão para ter uma visão melhor dos veículos. Se um ônibus bater em mim, quem está errado sou eu", admitiu o servidor público Carlos Augusto Formoso, 50 anos.

Outro desafio são os novos patinetes de uso compartilhado. "Eu não me sinto seguro andando de patinete, por causa do trânsito e porque não tem via própria", comentou o analista judiciário Rodrigo Canela, 36, usuário do modal.

Irregularidades criam rotina arriscada na cidade

Embora o Rio seja a terceira capital brasileira em malha cicloviária, com 450 km, infrações de todos os lados fazem parte da rotina da cidade. A reportagem flagrou dezenas de irregularidades na tarde de ontem. Na Rua das Laranjeiras, no bairro de mesmo nome, uma van escolar fez o embarque de cerca de dez crianças sobre a ciclovia, colocando todos em risco. Um carro e um táxi também estacionaram sobre a faixa exclusiva. Motocicletas e muitos pedestres invadiam a pista.

Alessandra desvia de árvore que interrompe a pista, construída em cima de uma calçada, em Botafogo - Estefan Radovicz / Agencia O Dia

Na Rua do Acre, no Centro, ciclistas foram vistos trafegando na contramão ou entre carros e ônibus. De acordo com o CTB, quando não há ciclovia, a bicicleta deve circular pelos cantos da rua e no sentido do trânsito. Há quem desrespeite a lei mesmo conhecendo as regras, passíveis de multa, e falta fiscalização. "No meu caso, eu vim na contramão para ter uma visão melhor dos veículos. Se um ônibus bater em mim, quem está errado sou eu", admitiu o servidor público Carlos Augusto Formoso, 50 anos.

Outro desafio são os novos patinetes de uso compartilhado. "Eu não me sinto seguro andando de patinete, por causa do trânsito e porque não tem via própria", comentou o analista judiciário Rodrigo Canela, 36, usuário do modal.

*Reportagem de Gustavo Ribeiro, Lucas Cardoso, Ana Mello e Rachel Dias (estagiárias)

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Local onde aconteceu o acidente: devido à velocidade da atividade esportiva que praticava, Artur (no detalhe) não podia usar a ciclovia Daniel Castelo Branco / Agência O Dia
Alessandra desvia de árvore que interrompe a pista, construída em cima de uma calçada, em Botafogo Estefan Radovicz / Agencia O Dia

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