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Pai de vereador morto em Japeri cobra governador: 'A Baixada está abandonada'

Daniel Coelho comparou a morte do filho com o caso Marielle Franco

Por Antonio Augusto Puga

Corpo de Wendel Coelho (Avante) foi velado na Câmara Municipal de Japeri
Corpo de Wendel Coelho (Avante) foi velado na Câmara Municipal de Japeri -

Rio - Familiares, amigos e simpatizantes do vereador Wendel Coelho (Avante), de 26 anos, se reuniram na Câmara Municipal de Japeri para velar o corpo do político, assassinado na madrugada deste domingo. Inconformado com a perda do filho, Daniel Coelho, pai do parlamentar, cobrou explicações do governador Wilson Witzel (PSC). "A Baixada está abandonada. A Zona Sul do Rio tem policiamento, menos a Baixada, que está entregue", reclama. O sepultamento ocorreu em clima de revolta e comoção no Cemitério de Engenheiro Pedreira, com a presença de cerca de 300 pessoas. 

No momento do crime, Wendel estava de carro com um irmão, quando foi alvo de tiros disparados por um bandido de moto na Praça Olavo Bilac, no bairro de Engenheiro Pedreira. "Quanto tempo vou ter uma resposta de quem matou o meu filho? Com a Marielle (Franco) foi um ano e meu filho: vão ser três, quatro anos?", Daniel cobra, comparando ao caso da execução da vereadora do Psol, há pouco mais de um ano.

'Guinho, estou morrendo', teriam sido as últimas palavras do vereador Wendel Coelho

Já a mãe do vereador mal conseguia ficar em pé no velório do filho. Ela estava a todo o momento amparado por médicos. Inclusive uma ambulância foi colocada a postos para prestar socorro a ela. O pai do vereador também passou mal durante a cerimônia. 

"Foi uma covardia. Não é só Japeri não, a Baixada Fluminense toda está sem segurança pública. O governador Witzel pediu, foi eleito e disse que ia dar um jeito na segurança pública, ia resolver. Até agora não resolveu nada. Hoje tem uma vítima: meu filho, de 26 anos, trabalhador. O outro, foi colega dele, morto perto da Câmara, com mais de 30 tiros. E ele falou que já tinha o nome do assassino, mas até agora não apresentou", criticou o pai.

O pai do vereador morto, Daniel Coelho - Daniel Castelo Branco / Agência O DIA

Políticos alvos na Baixada

Levantamento do DIA mostra que somente neste ano, quatro políticos foram alvos de atentados na Baixada Fluminense - dois deles prefeitos. Após as eleições de outubro, já foram sete casos. De 2018 para cá, sete políticos morreram.

No ataque que sofreu, Wendel foi morto com um tiro no peito. "Meu filho fez uma carreira política linda e agora é morto desse jeito", reclama o pai do parlamentar, que foi eleito para o seu primeiro mandato com 729 votos.

Reclamando bastante do governo do estado, Daniel avisa que a família pensa em processar o estado pela morte do filho.

Corpo de Wendel chega para ser velado na Câmara de Japeri - Daniel Castelo Branco / Agência O Dia
Velório do político reuniu familiares, amigos e simpatizantes - Daniel Castelo Branco / Agência O DIA
Wendel tinha 26 anos - Arquivo Pessoal

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Corpo de Wendel Coelho (Avante) foi velado na Câmara Municipal de Japeri Daniel Castelo Branco / Agência O DIA
Wendel foi morto no dia 24 de março Arquivo Pessoal
Corpo de Wendel chega para ser velado na Câmara de Japeri Daniel Castelo Branco / Agência O Dia
Velório do político reuniu familiares, amigos e simpatizantes Daniel Castelo Branco / Agência O DIA
O pai do vereador morto, Daniel Coelho Daniel Castelo Branco / Agência O DIA
Cerca de 300 pessoas, entre parentes e amigos, se despediram do parlamentar ontem no Cemitério de Engenheiro Pedreira, no município Daniel Castelo Branco/ Agência O DIA

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