Estado tem recorde de chikungunya

Especialistas pedem cuidado redobrado em abril, quando há proliferação do mosquito

Por *Luana Dandara

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Rio - Após o avanço de casos de chikungunya no ano passado, a doença continua afligindo a população fluminense. O Rio já é o estado com o maior número de casos da arbovirose em todo país em 2019. A dengue, por sua vez, cresce em alguns municípios pela reintrodução do vírus tipo 2, que causou uma epidemia em 2008, enquanto a zika permanece em declínio. Especialistas alertam que é preciso cuidado redobrado para abril, quando, tradicionalmente, a proliferação do Aedes aegypti, transmissor das três enfermidades, é favorecida.

De acordo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), foram 6.765 casos de febre chikungunya até 16 de março, um aumento de 14,9% em relação ao mesmo período de 2018. Na capital, entretanto, o crescimento chega a 55,19% e até 275% em Caxias, mostram os levantamentos das secretarias municipais. "Era um aumento esperado, por ser uma doença ainda nova, que a população não tem imunidade. E com o verão quente e chuvoso houve condições de transmissão propícia", explicou o médico infectologista André Siqueira, da Fundação Oswaldo Cruz, que alertou: "A atenção da população e das autoridades precisa ser constante, pois abril, tradicionalmente, é o mês com pico de transmissão, por conta do aumento de chuvas".

A moradora de Nova Iguaçu Verônica Pequena, de 34 anos, contraiu chikungunya no mês passado, assim como sete familiares. Todos moram no mesmo terreno e para Verônica, há falta de manutenção da prefeitura na região. "Parte da rua não é asfaltada, o esgoto vaza quando chove e uma obra do lado de casa também acumula água parada. O meu medo é acometer o meu filho de um ano", disse ela, que reside na Rua Ana Luiza, no bairro de Cabuçu.

Médico da subsecretaria de Vigilância em Saúde do estado, Alexandre Chieppe ponderou que há uma tendência de queda de transmissão da infecção. "Os dados mostram uma desaceleração da transmissão da chikungunya nos meses de fevereiro e março, comparado a janeiro. Mas mantemos o alerta máximo, não é possível qualquer desmobilização. O Aedes é um mosquito com hábitos domiciliares, então a participação dos cidadãos na vistoria e limpeza dos criadouros dentro de casa é fundamental", afirmou ele. Um plano de contingência também foi montado pela SES, com centros de acolhimento nos municípios, e pode ser acionado caso haja epidemia.

*Estagiária sob supervisão de Luiz Almeida

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