Inseticida que combate o Aedes aegypti está em falta

Cerca de 300 mil litros do produtos tiveram que ser recolhidos devido à cristalização por falta de uso

Por RENAN SCHUINDT

Mariana Martins
Mariana Martins -

Rio - Está faltando inseticida para combater o Aedes aegypti no Estado do Rio. O alerta foi feito pelo superintendente de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Mário Sérgio Ribeiro, durante uma audiência pública da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), ocorrida na última segunda-feira. Segundo Ribeiro, o desfalque aconteceu devido a um problema na fórmula do produto, que levou ao recolhimento. Cerca de 300 mil litros não puderam ser utilizados devido à cristalização do produto, que entupiu equipamentos de aplicação. Tornando incompatível para o uso.

"Foi feita uma compra pelo Ministério da Saúde e o produto distribuído estava com problema na formulação. Não foi uma compra excessiva", afirmou, enfatizando que ainda não há previsão para o reabastecimento. "Na última conversa que tivemos com o Ministério da Saúde, eles não deram um prazo porque a ideia era revalidar esses 300 mil litros que estavam disponíveis. Mas não foi possível. Não foi aprovado tecnicamente", disse o superintendente. "A expectativa é que os números de casos diminuam com a chegada do inverno para que não haja dependência do inseticida", finalizou.

Ribeiro apresentou dados atualizados da Secretaria de Estado de Saúde das arboviroses. Entre janeiro e 4 de junho deste ano, houve 41.888 casos de chikungunya, 20.622 casos de dengue e 1.005 pessoas infectadas por zika. Ao todo, 13 pessoas morreram, todas vítimas da chikungunya, sendo 10 no município do Rio.

Embora seja o último estágio para frear os avanços de doenças como dengue, zika e chikungunya, o inseticida faz falta em algumas regiões, onde é necessário fazer um cordão de isolamento para conter o avanço do mosquito. Enquanto o estoque adquirido em 2016 pelo Ministério da Saúde estraga, cariocas reclamam da infestação de mosquitos.

É o caso de Ricardo Ruas, de 49 anos, morador de Guadalupe, na Zona Norte. Ele ainda se recupera da chikungunya e questiona o uso do inseticida. "Eu gostaria de saber o que eles estão esperando para colocar em prática? Várias pessoas já morreram", afirma. De acordo com Ricardo, a passagem do carro que espalha o mata-mosquitos ficou apenas na lembrança. "Rapaz, faz tempo que eu não vejo o fumacê por aqui. Já tem anos que não temos esse cuidado no bairro", diz.

Em Campo Grande, na Zona Oeste, a situação não é diferente. Vítima da dengue, Marcelo Gamaleira, de 54 anos, também sente falta do equipamento nas ruas. "Embora eu já tenha recebido a visita dos agentes, particularmente, nunca vi o fumacê por aqui. Acho que tinha que passar sempre. Todas as medidas são válidas", afirma. Já Mariana Martins, de 28 anos, é moradora de Ramos, na Zona Norte. Ela e a irmã tiveram chikungunya. A jovem reclama da ausência do carro fumacê. "Realmente, a gente percebe a falta dele. Tem muito tempo que não vejo o carro passando pelo bairro", diz.

Apesar das queixas, o infectologista da Fiocruz, Rivaldo Venâncio da Cunha, acredita que o ideal seria partir para novos métodos de prevenção. "Há mais de trinta anos que utilizamos esse sistema de combate ao mosquito e os índices só aumentaram. Acho que está na hora de pensar outros meios, mais eficazes", avaliou.

Deputados reclamam

Para e deputada Martha Rocha (PDT), presidente da Comissão de Saúde da Alerj, a utilização do inseticida é extremamente necessária. "Temos um diagnóstico alarmante. Já foram 13 mortes por chikungunya este ano, sendo que os especialistas ainda afirmam que a doença não é totalmente conhecida. Também há constantes falhas no diagnóstico e agora a notícia do desabastecimento de inseticidas. Vejo dias muito difíceis no setor de saúde estadual", disse.

Na opinião do deputado Márcio Gualberto (PSL), membro da Comissão e responsável por solicitar a sessão na Alerj, seria necessária uma melhor campanha de conscientização da população."É preciso mudar a cultura para que a população faça a prevenção contra o mosquito dentro de casa, não deixando água parada, entre outras ações. Também acho que deva ter uma maior integração entre os poderes públicos municipais, estadual e federal para superarmos as epidemias", disse.

 

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