Ações policiais deixam mais de 14 mil sem aulas

Operações ocorreram na CDD e na Maré, onde uma mulher morreu e quatro ficaram feridos

Por LUANA BENEDITO, Luiz Portilho e Natasha Amaral

A polícia exibiu o material apreendido na Vila dos Pinheiros. A moradora Sheila (no detalhe) morreu atingida por bala perdida, na Maré
A polícia exibiu o material apreendido na Vila dos Pinheiros. A moradora Sheila (no detalhe) morreu atingida por bala perdida, na Maré -

Uma mulher morreu e outras quatro pessoas ficaram feridas, dentre elas um policial e um suposto traficante, na operação realizada no Complexo da Maré, Zona Norte. Na Cidade de Deus, Zona Oeste, helicópteros das polícia Militar e Civil deram apoio à ação que terminou com um suspeito ferido.

A estimativa é de que mais de 14.300 alunos de escolas das duas regiões ficaram sem aulas. Unidades de Saúde das duas comunidades ficaram fechadas. Segundo a PM, foi apreendida na Maré uma tonelada de maconha, além de outras drogas, armas e munições.

A mulher morta na Maré foi identificada como Sheila Machado de Oliveira, 28 anos. Segundo relatos de testemunhas, ela estava indo trabalhar quando foi atingida pelo disparo. A vítima chegou a ser levada para a UPA da Vila Pinheiro, mas, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, já deu entrada sem vida na unidade. Ela deixa três filhos, de acordo com vizinhos. Já o policial foi atingido no pé e socorrido ao Hospital Central da Polícia Militar (HCPM), no Estácio, Região Central da cidade, segundo a corporação. O estado de saúde dele é estável.

Segundo a PM, o baleado é Paulo Roberto Taveira, conhecido como "Cara Preta", apontado como uma das lideranças do tráfico da comunidade Chapéu Mangueira, no Leme, Zona Sul do Rio. Ele foi levado para o Hospital Federal de Bonsucesso. O homem era foragido da Justiça desde julho de 2017. Um homem de 65 anos foi levado ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha, tem estado de saúde estável, segundo a unidade. Já uma outra vítima foi atendida e liberada.

Segundo a Comissão de Educação da Câmara dos Vereadores, 12 escolas de ensino fundamental, quatro creches e cinco unidades de Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI), todas sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Educação (SME), fecharam na Cidade de Deus, deixando 7.200 alunos sem aula. Já na Maré, 13 escolas de ensino fundamental, sete creches e quatro EDIs não funcionaram, atingindo 7.100 estudantes. Já a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) informou que uma unidade de ensino médio não funcionou na Maré, mas não informou quantos alunos há nela.

"A violência afeta o desempenho dos profissionais de ensino e o aproveitamento dos alunos, tanto pela interrupção das aulas, reduzindo o ano letivo, quanto pela tensão dos docentes e discentes que vivem em um ambiente de pavor", disse o presidente da comissão de educação da Câmara dos Vereadores, Célio Lupparelli (DEM). 

Em meio a essa situação, a reportagem de O DIA recebeu uma denúncia de que diretores de escolas na Maré ameaçam dar faltas a professores que não aparecerem para trabalhar em dias de tiroteio. "As direções cobram que vamos trabalhar mesmo sob tiroteio. Elas falam que são cobradas por superiores. Temos que nos reunir num local próximo da comunidade. Lá, decidimos se temos condições de entrar, ou não", disse um professor, que, por segurança, preferiu não se identificar. A Secretaria Municipal de Educação se defendeu: "Não há nenhum tipo de ameaça".

A situação violenta fez fechar quatro unidades de saúde — e prejudicar o funcionamento pleno de outras duas, na Maré — e duas na Cidade de Deus. O trânsito também foi afetado pelas operações. A pista sentido Baixada Fluminense da Linha Vermelha ficou fechada entre 12h40 e 13h, no trecho próximo da Maré. A PM impediu o fechamento da Estrada Marechal Miguel Salazar Mendes de Moraes, na Cidade de Deus.

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