Homem está preso há mais de 20 dias por crime que não cometeu, diz família

Vítimas de assalto apontaram o auxiliar de logística como sendo autor de um assalto por engano. Elas já reconheceram que cometeram um equívoco, mas Douglas da Mata dos Santos, de 30 anos, permanece preso e defesa tenta libertá-lo

Por O Dia

Amigos e familiares pedem a liberdade de Douglas
Amigos e familiares pedem a liberdade de Douglas -
Rio - Uma família de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, tenta lutar pela liberdade de um ajudante de logística, preso desde o dia 29 de maio. Douglas da Mata dos Santos, de 30 anos, foi chamado a comparecer ao Fórum de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, e saiu do local acusado de roubo após ser reconhecido por vítimas de um assalto. Elas já alegaram que se tratava de um equívoco, mas ele permanece preso. O advogado do profissional, Hugo Cesar Pinto, explica que o habeas corpus ainda será julgado. Ele e membros da Comissão de Direitos Humanos da Ordem de Advogados do Brasil (OAB) irão até o Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) para pedir pela soltura imediata do rapaz.
Foto mostrada às vítimas para reconhecimento, de 2006 - Reprodução / Internet
O erro aconteceu quando a imagem para reconhecimento dos criminosos que foi apresentada às vítimas era a foto da carteira de trabalho de Douglas. O documento havia sido levado por assaltantes, junto com outros pertences, meses antes, em outro assalto.
A Justiça o acusa de um roubo ocorrido no dia 28 de outubro de 2018, por volta de 1h50, na rodovia Presidente Dutra. As vítimas, que são parte de uma banda, foram abordadas por dois homens enquanto trocavam o pneu do carro, um Fiat Línea sedan, na cor branca. Na ocasião, o veículo e os pertences das vítimas, inclusive os instrumentos musicais, foram levados.
Menos de um mês após o ocorrido, Douglas também foi assaltado. Ele estava acompanhado de um colega de trabalho no momento da abordagem e os criminosos usaram o mesmo veículo roubado da banda no mês anterior. O carro em que o auxiliar de logística estava foi levado pelos assaltantes junto com o documento dele e pertences do profissional que o acompanhava. 
Douglas e Michelle, esposa do auxiliar de logística - Reprodução / Internet
Michelle Barcellos Santiago, de 28 anos, esposa de Douglas, conta que logo após o assalto, o marido ligou para o 190 para relatar o ocorrido: "A polícia foi com a viatura até a casa da minha mãe, pra onde ele foi para ligar para a polícia, e levou os dois pra fazerem uma ronda de patrulhamento, pra ver se encontrava o carro. Depois os dois foram encaminhados para a 64ª DP (São João de Meriti) pra fazer um boletim de ocorrência", relata.
As vítimas que haviam reconhecido o auxiliar de logística como um dos criminosos receberam as fotos atuais dele por meio de uma equipe de reportagem da BandNews FM. Ao notarem o equívoco, o grupo procurou o TJ, junto com a família e o advogado de Douglas na intenção de desfazer o mal entendido.
Contudo, a desembargadora não os recebeu, relata a família. Michelle conta que o marido foi acusado sem ter oportunidade de defesa: "Meu marido não foi chamado a depor, ele teve mandado de prisão expedido sem nenhum esclarecimento, só pela questão racial, dele ser preto, pobre", desabafa.
As vítimas do roubo assinaram um documento reconhecendo que não era ele o criminoso envolvido no assalto. De acordo com o advogado da banda, Victor Hugo Brionnes, o veículo do grupo musical foi recuperado no dia 9 de novembro, um mês após a ação contra a banda e uma semana após o assalto ao auxiliar de logística. A carteira de trabalho dele estava dentro do carro e foi entregue a polícia pelo proprietário do veículo. Mais tarde, a foto foi apresentada como sendo de um suspeito.

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Amigos e familiares pedem a liberdade de Douglas Reprodução / Internet
Foto mostrada às vítimas para reconhecimento, de 2006 Reprodução / Internet
Douglas e Michelle, filha do auxiliar de logística Reprodução / Internet

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