CPI do Túnel Acústico fará vistoria no local do desabamento
Vereadores da Câmara Municipal do Rio cobram respostas da Prefeitura sobre punição aos culpados
Queda de vigas de concreto deixou um buraco na estruturaMaurício Val / Prefeitura do Rio
Por Felipe Rebouças*
Rio – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura as causas do desabamento de uma estrutura do Túnel Acústico Rafael Mascarenhas, na Gávea, ocorrido no dia 17 de maio, fará nesta terça-feira, às 10h30, uma vistoria no trecho sentido Barra da Tijuca. Criada na Câmara Municipal de Vereadores, de autoria do vereador Reimont Otoni (PT), a comissão pretende averiguar, em breve, as condições de conservação dos túneis Rebouças, Santa Bárbara, Noel Rosa, Zuzu Angel, bem como a Ciclovia Tim Maia. "Os cariocas estão em risco e a manutenção é a única forma de se evitar acidentes", afirma o vereador Paulo Pinheiro, membro titular da comissão. De acordo com Reimont, o relatório final da vistoria será enviado para a prefeitura como forma de pressão política para que medidas urgentes sejam tomadas.
Segundo levantamento do próprio governo municipal, há vinte viadutos que demandam reparo na cidade e, desses, a maioria prescinde de recuperação estrutural. Passarelas e pontes encontram-se na mesma situação. Diante disso, a CPI pretende esclarecer o estado de cerca de mil viadutos e pontes da capital. Na vistoria, os peritos da CET-Rio e da Geo-Rio estarão presentes para garantir segurança aos fiscalizadores. Integrantes do Clube de Engenharia, do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-RJ), do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-RJ) e do Sindicato dos Engenheiros (Senge-RJ) também comparecerão ao local.
De acordo com Reimont, o desabamento ocorrido durante forte chuva que atingiu a cidade ultrapassa a questão climática, uma vez que poderia ter ocorrido em qualquer outro momento. "A reação da prefeitura foi anunciar a reforma dos cinco grandes túneis (Rebouças, Santa Bárbara, Noel Rosa, Zuzu Angel e Rafael Mascarenhas), mas os editais foram cancelados. Apesar da autorização para licitar obras em R$ 325 milhões tenha sido publicada em 2018, o valor foi reduzido para menos da metade e o processo foi paralisado", explica o parlamentar que lidera a CPI.
Um estudo produzido para a CPI revela que o Rio de Janeiro possui um sistema viário com 22.990 km de túneis, logo, 1 Km para cada 275.034 habitantes. Na Região Metropolitana, os vereadores calcularam 24,070 Km de túneis, cuja proporção equivale a 1 km para cada 486.548 habitantes.
Os motoristas que trafegam pelo Elevado Paulo de Frontin – onde em 1971 um trecho de 50 metros desabou, matando 20 pessoas e ferindo 18 – fazem denúncias frequentes a respeito de problemas estruturais. "Diante disso, solicitei uma vistoria acompanhado de peritos e técnicos nos túneis, viadutos e passarelas citados, com necessidades mais urgentes. Temos que cobrar da prefeitura do Rio, afinal são preocupantes as informações sobre o esvaziamento tanto orçamentário como de quadro pessoal e material dos órgãos responsáveis por vistorias e análises, que nos alertam para o risco imposto a milhões de moradores e turistas do mundo inteiro", conclui o petista.
Publicidade
Despejo de entulho teve 'relação direta'
Denunciado pelo DIA no início deste mês, o descarte irregular de lixo e entulho teve "relação direta" com o deslizamento de terra que derrubou parte do teto de concreto do túnel, de acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação, a qual a Fundação Geo-Rio está subordinada. À época, a Comlurb, responsável pela limpeza urbana, informou que retirou do local 144 toneladas de resíduos, entre lama, galhada, entulho e material como móveis e eletrodomésticos.
Segundo a Geo-Rio, os responsáveis pelo acúmulo de lixo seriam multados em razão do prejuízo causado à cidade. Alegando 'uma questão legal', o órgão não quis dizer a quem atribui a irregularidade. "O descarte irregular do lixo tem relação direta com o que ocorreu na encosta. O responsável será multado pela prefeitura. Estamos apurando o valor da multa, por conta do prejuízo causado à cidade", destacou a Fundação, por meio de nota. O órgão negou falta de fiscalização para impedir o problema: "As encostas são monitoradas de forma constante, com prioridade para os locais que possuem construções irregulares".
Publicidade
Até o momento, a Prefeitura do Rio não retornou os pedidos de atualização sobre o caso e também não identificou os eventuais responsáveis pelo descarte de lixo e restos de obra no local.