Crise na saúde da Zona Oeste

Atendimento comprometido no Hospital Pedro II afeta outras unidades do município

Por O Dia

Hospitais municipais não dão conta de atender pacientes como Fernanda e a filha, Luíza, 4 anos (no destaque)
Hospitais municipais não dão conta de atender pacientes como Fernanda e a filha, Luíza, 4 anos (no destaque) -
A liminar da Justiça, emitida no último sábado, determinando que a Prefeitura do Rio e a organização social (OS) SPDM, que administra o Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste, garantissem atendimento no fim de semana, não surtiu efeito ainda. Com isso, a precariedade dos serviços no hospital ainda está agravando a crise do sistema municipal de saúde na região. Sem médicos no plantão, a população faz peregrinação por outras unidades hospitalares. A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que irá montar um gabinete para acompanhar o cumprimento do contrato com a OS.
Até ontem, a secretaria afirmou que ainda não havia sido intimada, mas garantiu que a ordem judicial será cumprida, “ainda que caibam recursos”. Segundo nota oficial, a pasta informou que a OS “continua em busca de profissionais para a unidade”. Segundo a coordenadora de Saúde e Tutela Coletiva da Defensoria Pública do Rio, Thaisa Guerreiro, tanto prefeitura quanto a OS seriam intimadas a partir de ontem e só então estariam obrigadas a cumprir a liminar. Em entrevista à rádio CBN, Guerreiro afirmou que vai acompanhar o caso.
Via crucis
Ao chegar, ontem, ao Pedro II, a equipe de O DIA já se deparou com uma família colocando um idoso na maca, sem ninguém do hospital presente. Quem procurou a pediatria do hospital também ficou sem atendimento. Com febre alta, a pequena Luíza Victoria, de 4 anos, nem chegou à consulta com o médico. A mãe da menina, Fernanda Leopoldina, 27, conta que já na triagem a responsável adiantou que ela não seria atendida.
“Na triagem disseram que era para ir para o Rocha Faria ou para uma UPA. Um hospital grande desses não podia estar do jeito que está”, lamentou.
Internado há quatro meses no hospital, após ma cirurgia bucomaxilofacial, Darley Wanderson Rodrigues, 37, também precisou ser submetido a uma traqueostomia e teve complicações ao ser entubado. A mãe do paciente, Rosângela Carvalho, 50 anos acusa o hospital de erro.
“Meu filho precisa de um hospital para consertar esses erros. Fizeram uma transferência para o (Hospital Universitário) Pedro Ernesto, chegou lá não tinha nenhum médico esperando e nem levaram o prontuário dele”, contou.
Há 22 dias, Leonardo Barreto, 39, deu entrada na unidade mancando. Diagnosticado com inflamação nas veias das pernas, foi medicado. No dia 20, recebeu alta, mesmo sem conseguir andar. A irmã dele, Lislane Medeiros, 48, contou que os médicos disseram que a fisioterapia resolveria o problema de mobilidade. “Aqui não tem nem o básico. O meu irmão nem pisa no chão e já deram alta para ele”.
Direção responde
A direção do Pedro II esclareceu que o quadro de saúde do paciente Darley “se agravou em março e ele precisou ser transferido para o CTI. Ele aguarda transferência para uma cirurgia torácica para broncoscopia, realizada apenas em unidades estaduais ou federais”. Sobre o paciente Leonardo, o hospital
disse que “foi solicitado raio-x, o exame não apresentou sinais de fratura e o paciente recebeu alta no dia 22 de junho”.
Com o déficit de profissionais no Hospital Pedro II, diversos pacientes lutam por atendimento em outros locais. O Hospital Municipal Albert Schweitzer reconhece o problema e informou, em nota, que “a unidade está com demanda aumentada, o que resulta em tempo de espera acima do normal”.
Depois de percorrer as UPAs de Cabuçu e Comendador Soares, na Baixada, o cozinheiro Marco Aurélio, de 51 anos, que quebrou o pé em uma estação de trem, recorreu ao Albert Schweitzer. Para chegar à triagem do hospital, Marco precisava de uma cadeira de rodas, mas não havia nenhuma disponível, segundo contou a irmã do paciente, Magda Lúcia, de 48 anos. O hospital, porém, garantiu que “não procede a informação sobre falta de cadeiras de rodas”, alegando que “em alguns momentos, o tempo para liberação das cadeiras
pode ser maior”.
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