'Faliência' carioca: as barreiras no mercado de motéis

De encosta que desaba, decretando o fechamento do tradicional Vip's, à crise econômica que abala a moral do setor, são muitas as barreiras para o amor no mercado dos motéis, mas muitos seguem firmes

Por *Luana Dandara

Jacqueline Oliveira e Davi Miranda, posaram na suite do Motel Shalimar, na Avenida Niemeyer, Zona Sul do Rio
Jacqueline Oliveira e Davi Miranda, posaram na suite do Motel Shalimar, na Avenida Niemeyer, Zona Sul do Rio -

Rio - Um ícone da saliência carioca, o Motel Vip's fechou as portas nessa segunda-feira, derrubado pela interdição da Avenida Niemeyer. O encerramento das atividades de um dos estabelecimentos mais tradicionais e luxuosos da cidade chama atenção para a crise que se intensifica e abala a moral do setor.

Segundo os administradores dos motéis, o movimento de clientes está de fazer qualquer um perder a libido: caiu em até 40% desde 2014. Entre os motivos estão não só a crise econômica, como também a violência, que faz o público sair menos à noite, e a própria mudança de comportamento da clientela. Para tentar estimular os casais a voltarem a frequentar os templos do amor e evitar a temida "faliência", ou seja, a "falência da saliência", o jeito é se reinventar por meio de promoções, investimento em divulgação e reformas.  

O Motel Palácio do Rei, na Tijuca, começou a modernizar suas 36 suítes, inauguradas em 1985. "Iniciamos uma reforma gradativa há três meses, incluindo mudança das TVs e ofurô. Temos que criar meios para manter a demanda. O nosso maior movimento é o noturno, mas as pessoas não têm mais confiança em sair nesse horário", afirma o gerente Amaury Soares. Entre as ofertas está o apartamento simples por R$ 79,90, no período de três horas.

O casal Jacqueline Oliveira, 35 anos, e Davi Pereira, 37, eram clientes fiéis do Vip's. Agora, pretendem substituir pelo Shalimar, na mesma região. "Foi decepcionante o fechamento, acompanhamos o problema na Niemeyer. O Vip's tinha a melhor vista do Rio e atendimento impecável", lamenta Jacque. "Vai fazer falta, vivemos muitos momentos felizes ali", acrescenta Davi.

Moradores de Bonsucesso, os dois trabalham na Zona Sul e preferem pernoitar no motel. Para isso, levam roupa na mochila e vão direto para o emprego no dia seguinte. "Não dá para voltar de madrugada, ficamos com medo. Vamos uma a duas vezes por mês, é gostoso sair da rotina", diz Jacqueline. A assistente administrativa conta que percebe a queda do movimento de motéis por conta da ausência de filas. "O movimento parece bem mais fraco".

Motel Itaoka. em Bonsucesso - Ricardo Cassiano / Agência O Dia

Localizado na Praça da Bandeira, o Motel Málaga precisou reduzir 20% do quadro de funcionários para se manter em meio à crise. Além disso, os preços, que começam em R$ 107, não sofrem aumento há três anos. Nesse Dia dos Namorados, o movimento foi até 50% menor que em 2018. "Enxugamos ao máximo as despesas. E as políticas de incentivo para os clientes, como atendimento e manutenção rigorosa das suítes, estão cada vez menos competentes", aponta o dono Antônio Gosende.

No Itaoka, em Bonsucesso, a gerente Gisele Silva acredita que o setor precisa se reinventar. "Investimos em reservas via WhatsApp, no site e decoração romântica. Também aprimoramos o cardápio do restaurante", explica.

*Estagiária sob supervisão de Clarissa Monteagudo

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Jacqueline Oliveira e Davi Miranda, posaram na suite do Motel Shalimar, na Avenida Niemeyer, Zona Sul do Rio Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Motel Itaoka. em Bonsucesso Ricardo Cassiano / Agência O Dia

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