Queda de vigas de concreto deixou um buraco na estrutura - Maurício Val / Prefeitura do Rio
Queda de vigas de concreto deixou um buraco na estruturaMaurício Val / Prefeitura do Rio
Por Felipe Rebouças*

Laudo divulgado ontem pela Geo-Rio apontou que o principal responsável pelo desabamento de parte do teto do Túnel Acústico Rafael Mascarenhas, na Zona Sul, no último dia 17 de maio, seria um morador do Jardim Pernambuco, área de residências luxuosas no no Leblon. Com o documento, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente informou que vai multar o proprietário do imóvel na próxima semana em R$ 3,3 milhões, valor estimado da obra realizada para a recuperação do local.

Segundo o documento, para recompor a encosta afetada estão em execução duas cortinas atirantadas - que funcionam como estrutura de impacto -, além da reconstrução da cobertura em estrutura metálica. A estimativa da Geo-Rio para concretização desses reparos é de R$ 3,3 milhões.

Valor próximo à multa aplicada pela prefeitura a um empresário acusado de despejar cerca de 200 toneladas de lixo no local do desabamento. O vereador Reimont Otoni recebeu a denúncia de que a queda de parte da estrutura do túnel foi provocado pelo proprietário de um imóvel na Rua Embaixador Graça Aranha, no Jardim Pernambuco. Ele teria jogado irregularmente no local pneus, eletrodomésticos, móveis, guaritas e garrafas vazias de vinho. De acordo com a Geo-Rio, todo esse material teria pressionado a parede do túnel, provocando a queda. 

Segundo o engenheiro Nelson Araujo Lima, um dos projetistas responsáveis por um trecho do Túnel Acústico que não foi atingido, a construção de casas ao lado da galeria teria contribuído para o escorregamento do solo no teto do túnel. "Há 40 anos, aquele lugar era absolutamente deserto. Com a necessidade de movimento da terra para a construção dos imóveis, o terreno foi sendo modificado, o que pode ter contribuído para o desabamento", explica.

As casas citadas pelo engenheiro ficam localizadas na Rua Embaixador Graça Aranha, endereço próximo ao túnel. Ainda segundo Lima, há terrenos com quadras de tênis e até heliponto, "que não deveriam ter sido feitas na região". Para ele, é preciso uma revisão de todo o percurso que ladeia o Túnel Acústico. "Outros desmoronamentos podem se repetir e colocar em risco as vida das pessoas que cruzam o túnel", afirma o especialista.

Até o momento a Geo-Rio já fez a limpeza de encostas, a remoção das estruturas rompidas, o escoramento provisório da viga de apoio da cobertura, a desobstrução de estruturas de drenagem existentes, o transporte e disposição adequada do material removido, o corte de árvores e a limpeza de 6 mil m² da cobertura do viaduto (área atingida pelo desabamento).

 

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