HFB enviará lista de médicos da Emergência na segunda-feira

Ministério Público Federal vai analisar se quantidade de profissionais é suficiente para o atendimento. Atualmente, a Emergência recebe apenas pacientes com risco de morte

Por LUIZ PORTILHO

Marcos e Aracaci: só na UPA
Marcos e Aracaci: só na UPA -
Rio - O Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) planeja mandar para a Advocacia-Geral da União (AGU), na próxima segunda-feira, a lista de profissionais atuando na emergência da instituição. A determinação partiu da 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro, a pedido do Ministério Público Federal, que analisará se a quantidade é suficiente para o atendimento dos pacientes que procuram a unidade, que fica na Zona Norte do Rio. Com a falta de profissionais, o setor de emergência só está atendendo quem chega com risco de morte.
Na quarta-feira, dia 3 de julho, O DIA revelou, com base num levantamento de funcionários, entregue à direção da unidade no mês anterior, que a emergência deveria ter 124 médicos, mas conta apenas com 47 – déficit de 77 profissionais. A assessoria de imprensa do HFB informa que, atualmente, há 53 médicos na emergência, sendo 17 clínicos-gerais, 16 cirurgiões, 16 ortopedistas e quatro pediatras.  
Com 25 leitos disponíveis para internação, a emergência do HFB estava ocupada por 31 pacientes, ontem. Esse número era de 55 no dia 27 de junho, quando o setor passou a atender apenas casos de risco de morte. Aos poucos, os pacientes menos graves foram transferidos para outros setores da unidade.
Dos 31 internados no local, 19 estão na sala verde, de enfermaria, cuja capacidade é para 20 pessoas. Já a sala vermelha, para pacientes com risco de morte, está no limite da capacidade, com cinco pacientes. Os sete restantes estão em poltronas destinadas a aplicação de injeções, que conta com 10 vagas, onde não é recomendada a internação. A sala amarela, de tratamento intensivo, que tem capacidade para 10 pessoas, foi lacrada na terça-feira, dia 2.
Já a emergência pediátrica está fechada desde abril, pois, com quatro médicos, a especialidade fica descoberta no setor em três dias da semana. Quando uma criança chega ao local com risco de morte em um desses três dias, um profissional da unidade de tratamento intensivo (UTI) pediátrica ou da enfermaria pediátrica é deslocado para o atendimento, segundo o hospital. A recepção das pessoas em risco de morte ocorre na sala vermelha. De acordo com o HFB, com a capacidade máxima preenchida, o atendimento ocorre em duas macas disponíveis na sala de procedimentos do setor. 
Em nota, o Ministério da Saúde informa que "permanece aberta a renovação de Contratos Temporários da União (CTU) vigentes e de novas contratações para todos que estão inscritos no último certame (março de 2018)". A pasta reforça que avalia tecnicamente novos modelos de contratação para eventuais disponibilidades de vagas, assim como realiza o recadastramento presencial dos funcionários das unidades federais no Rio de Janeiro, "afim de realocá-los, caso haja disponibilidade, em serviços que apresentem déficit de recursos humanos".
Enquanto nada se resolve, quem sofre é a população local, que precisa buscar outros hospitais para atendimento em casos menos graves. Ontem de manhã, o pedreiro Marcos Lopes, de 41 anos, saiu de moto da Vila Kennedy, na Zona Oeste, para levar a esposa, a merendeira Aracaci Neves, de 55 anos, ao HFB para a realização de um exame de sangue. Na Avenida Brasil, próximo à entrada da Ilha do Governador, ele levou um tombo após ser fechado por outra moto. Ambos se feriram no lado direito do corpo e tentaram atendimento na emergência do hospital, mas não conseguiram.
Apesar dos ferimentos no braço, no joelho e com dores nas costas, a merendeira ainda realizou o exame e marcou consulta com um otorrinolaringologista. Para as lesões causadas pelo acidente, porém, ela e o marido tiveram de buscar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). "Vamos tentar lá perto de casa mesmo", disse Aracaci. Já Marcos, que sofreu ferimentos no joelho e na mão, e sentia dor interna no pé, desabafou: "A emergência está fechada, não tem previsão de voltar. A nossa saúde está assim, um caos. Nem o mínimo para fazer um curativo tem".

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