Procurador preso por suspeita de propina é investigado por obras do Teleférico do Alemão

Renan Miguel Saad teria favorecido empreiteira que realizou as obras

Por O Dia

Renan Saad foi preso no dia 1º de Julho e levado à sede da Policia Federal no Rio
Renan Saad foi preso no dia 1º de Julho e levado à sede da Policia Federal no Rio -
Rio - O procurador Renan Miguel Saad preso por suspeita de ter recebido propina da empresa Odebrecht em obras da Linha 4 do metrô do Rio também é investigado por conta da implantação do Teleférico do Morro do Alemão. Segundo ação que corre na Procuradoria-Geral do Estado do Rio (PGE), Saad teria dispensado o processo de licitação na construção da linha, que liga o Complexo do Alemão à estação de trem de Bonsucesso, na Zona Norte da cidade. As informações são do portal G1.

De acordo com a reportagem do site, o Ministério Público Especial de Contas emitiu um parecer sobre a ação do procurador que está afastado de suas funções. No documento, a dispensa e a condução do processo por Renan Saad são consideradas “uma aberração”.

Com seis estações construídas e 3,5 km de extensão de linha, o Teleférico do Alemão, que está sem funcionar desde 2016, custou aos cofres públicos mais de R$ 210 milhões. O valor é alvo de investigação de procuradores.

A PGE e o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro também foram questionados sobre o caso envolvendo o Teleférico do Alemão, mas, até o fechamento desta edição, Renan Saad foi preso e levado à sede da Policia Federal no Rio Ricardo Cassiano as duas instituições não se posicionaram sobre o caso.

NÃO É A PRIMEIRA VEZ

Mas essa não foi a primeira vez que a operação do Teleférico do Alemão foi alvo de investigação. Em 2017, o Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) já questionava a não exigência de licitação, no valor de mais de R$ 50 milhões. Na ocasião, foi determinada pelo tribunal de contas a retenção de R$ 5,8 milhões da empresa devido a sobrepreço em planilha que registra os custos com pessoal.
O procurador do estado foi preso, na última segunda-feira, em etapa da operação Lava Jato por suposto recebimento de R$ 1,3 milhão também por meio da Odebrecht. O valor financiaria pareceres favoráveis para fazer alterações no trajeto da Linha 4 do metrô do Rio. As fraudes fariam parte de um esquema do ex-governador Sérgio Cabral. À época, Renan Saad era assessor jurídico chefe da Secretaria de Estado de Transportes (Setrans), nomeado por Cabral.
Em nota, a defesa do procurador ressaltou "a indignação de seu cliente quanto às acusações que lhe estão sendo imputadas relacionadas ao processo licitatório das obras de implantação da linha 4 do metrô, e sobre as quais não lhe foi oferecido, minimamente, o direito básico de defesa."
Leia a íntegra:
A defesa do procurador Renan Saad reitera a indignação de seu cliente quanto às acusações que lhe estão sendo imputadas relacionadas ao processo licitatório das obras de implantação da linha 4 do metrô, e sobre as quais não lhe foi oferecido, minimamente, o direito básico de defesa.
O procurador reafirma que o processo de licitação das referidas obras seguiu rigidamente todos os trâmites e protocolos legais vigentes à época, inseridos na política de transportes determinadas pela então governança do Estado do Rio de Janeiro. E considera ainda mais absurdas as ilações sem qualquer fundamento envolvendo seu nome em supostos atos ilícitos relacionados a outros processos legais na Procuradoria.
Após a surpresa e indignação iniciais proveniente da violência jurídica e policial sofrida, o procurador busca manter sua serenidade pessoal e familiar para provar a absoluta correção de seu desempenho há mais de 30 anos como procurador do Estado.
Confiante na justiça e convicto de que a verdade dos fatos será recuperada em breve, aguarda celeridade no julgamento do pedido de habeas corpus, que será impetrado nesta segunda-feira, para conduzir sua defesa e desmontar com firmeza esse ardiloso enredo de acusações.
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