Web do tráfico: empresa é suspeita de ligação com bandidos

Em São Gonçalo, polícia investiga denúncias e relatos de vandalismo

Por Anderson Justino

Após matéria do DIA, criminosos retiraram faixas com oferta de serviço
Após matéria do DIA, criminosos retiraram faixas com oferta de serviço -

Rio - A Polícia Civil abriu novo inquérito para investigar a empresa que oferece serviços de internet que supostamente seria usada como fachada por traficantes de São Gonçalo. Semana passada, com exclusividade, O DIA denunciou que marginais do Comando Vermelho destroem equipamentos de operadoras para oferecer o serviço de forma ilegal. Após a publicação da reportagem, surgiram novas denúncias na 73ª DP (Neves).

De acordo com a polícia, o bando vem agindo em pelo menos dez bairros. O inquérito corre em sigilo, mas, segundo fontes da polícia, traficantes tentam impor que apenas a empresa escolhida por eles se instale na cidade.

Há pelo menos três meses, moradores das comunidades Jaqueira e Castro denunciaram à polícia o abuso de traficantes que cortaram cabos de internet. A polícia ouvirá funcionários das operadoras TIM e Oi para identificar os locais em que as empresas foram proibidas de trabalhar. Os representantes da operadora investigada serão intimados.

Em nota, o Ministério Público Estadual (MP) informou que está fazendo levantamentos para identificar os denunciados e acompanhará as investigações. "Vamos iniciar as apurações para identificar cada um dos envolvidos". Ainda segundo o MP, a 72ª DP (Mutuá) também investiga uma empresa que oferece serviços de internet nos bairros Boaçu e Salgueiro, áreas controladas pelo tráfico.

A TIM informou que os serviços de internet estão suspensos em alguns bairros desde agosto e garantiu que "os serviços de ultra banda larga fixa foram interrompidos devido a um ato de vandalismo. Técnicos da operadora tentaram, por diversas vezes, efetuar o reparo, mas não foi possível acessar o local".

Já a Oi informou que "questões de segurança pública que possam afetar a prestação dos serviços da companhia são comunicadas às autoridades para que providências sejam tomadas".

Coagidos

Além de Salgueiro e Boaçu, a região que abrange Paraíso, Porto da Madama, Mangueira, Porto da Pedra, Porto Novo, Porto Velho, Patronato e Gradim é cercada por comunidades controladas pelo tráfico de drogas. São mais de cem mil pessoas coagidas a aceitar o serviço ilegal.

Além do lucro com drogas e roubos de cargas, traficantes buscam novas ações ilegais,como venda de gás e exploração da TV a cabo e internet. “O tráfico está se tornando uma ‘nova’ milícia. Estamos nas mãos desses bandidos”, desabafa um morador do Patronato.

Após matéria de O DIA, novas denúncias surgiram. Moradores de Piratininga e Itaipu, na Região Oceânica de Niterói, e Vicente de Carvalho, na Zona Norte do Rio, também estão sendo obrigados a usar a internet financiada pelo tráfico de drogas.

 

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