Polícia investiga furto de busto de Candido de Oliveira na Faculdade Nacional de Direito da UFRJ
Obra de bronze ficava no Largo do Centro Acadêmico Candido de Oliveira (CACO), na Rua Moncorvo Filho, no Centro do Rio
Busto em bronze de Candido de Oliveira, patrono do Centro Acadêmico da Faculdade Nacinal de Direito, foi furtadoArquivo Pessoal
Por Beatriz Perez
Rio - A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar o furto de um busto de bronze instalado em 1991 em frente à Faculdade Nacional de Direito da UFRJ. A obra ficava no Largo do CACO (Centro Acadêmico Cândido de Oliveira), na Rua Moncorvo Filho, no Centro do Rio, e é a oitava furtada neste ano.
A instalação homenageava Candido Luiz Maria de Oliveira (1845-1919). Ministro da Guerra, da Fazenda e da Justiça no Império de Dom Pedro II, o jurista se formou na FND, onde também foi diretor e professor. Querido pelos estudantes, o nome de Candido de Oliveira batizou o centro acadêmico da instituição.
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Estrutura de escultura ficou sem o busto em bronze de Candido de Oliveira
Arquivo pessoal
Busto em bronze de Candido de Oliveira, patrono do Centro Acadêmico da Faculdade Nacinal de Direito, foi furtado
Reprodução/ Google Street View
Busto em bronze de Candido de Oliveira, patrono do Centro Acadêmico da Faculdade Nacinal de Direito, foi furtado
Arquivo Pessoal
A Gerência de Monumentos e Chafarizes da Prefeitura, vinculada à subsecretaria de Conservação (SMIHC), informa que um boletim de ocorrência sobre o caso foi registrado na 4ª DP (Praça da República). A delegacia, por sua vez, abriu inquérito para apurar o furto e afirma que diligências estão em andamento para apurar o crime.
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Tataraneto do patrono do CACO, Rodrigo Candido de Oliveira, 53, recebeu com revolta a notícia do furto. O advogado soube do crime depois que um amigo lhe enviou, na última quarta-feira, uma foto da estrutura sem a escultura.
"Recebi a notícia com a natural revolta de cidadão que mora no Rio de Janeiro. A gente lê isso com uma frequência enorme. Para a família, tem um significado especial, mas como cidadão, também causa revolta. Infelizmente, isso acontece diariamente no Rio de Janeiro", lamenta.
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O sumiço do busto em bronze foi denunciado pelo perfil 'Habeas Data FND', que divulga notícias e eventos da faculdade.
"Trata-se de importante monumento da história da nossa faculdade, de homenagem ao célebre diretor e jurista que deu nome ao nosso Centro Acadêmico. Desejamos solidariedade a sua família, e entendemos que providências devem ser tomadas", diz um trecho da publicação.
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Em nota, a UFRJ lamentou o desaparecimento do busto de Cândido de Oliveira, autor de diversas obras jurídicas e integrante da Comissão Organizadora dos Códigos Civil e Criminal. "A Universidade espera, confiante, que as autoridades policiais localizem os responsáveis pelo furto para que, se possível, haja a recuperação do monumento integrante da cidade do Rio de Janeiro", diz.
O busto, feito pelo artista plástico Laurindo Ramos, foi uma homenagem da Prefeitura do Rio ao célebre advogado, em 1991. O monumento foi reinstalado em 2011, depois de precisar ser retirado em 2009 em razão de danos provocados por um acidente de trânsito.
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Rio tem maior acervo de monumentos
A cidade do Rio tem o maior acervo de monumentos cadastrados do Brasil: são 1371, incluindo também chafarizes, lagos, relógios e muradas sob a tutela do município. Todo trabalho de manutenção dessas peças cabe à Gerência de Monumentos e Chafarizes, vinculada à subsecretaria de Conservação (SMIHC).
Cada vez que um monumento é danificado ou vandalizado, é preciso fazer a elaboração de um projeto com previsão orçamentária independente, sendo necessária a abertura de licitação para o restauro. Por isso, não há valor estimado do prejuízo com vandalismo de monumentos.
No caso de manutenção, o atendimento é feito pelo contrato de conservação da gerência de Monumentos e Chafarizes, que cuida atualmente de 1.371 monumentos e chafarizes públicos na cidade do Rio de Janeiro.
Furtos de 2019:
1- Imperatriz Teresa Cristina: janeiro - Centro/Praça Itália - Furto integral do busto em bronze;
2- Noel Rosa: abril - Vila Isabel/Av. 28 de Setembro - Furto tampo da mesa, copo, garrafa e papel em bronze;
3- Noel Rosa: abril - Vila Isabel/Av. 28 de Setembro - Furto de parte do corpo do garçom e braço Noel Rosa em bronze;
4- Pira Olímpica: abril - Centro/Praça Mauá - Furto parcial do gradil em alumínio;
5- A menina dos balões encantados: abril - Ipanema/Praça N.S. da Paz - Furto parcial perna da menina em bronze;
6 – Placa monumento Nossa Senhora da Paz: maio, em Ipanema;
7 – Monumento Os Escoteiros: maio - Praça do Russel, Glória;