PM youtuber agride e dá voz de prisão à aluna da UFF durante semana acadêmica

Gabriel Monteiro, conhecido por gravar vídeos intimidando alunos, afirmou que é 'vítima'. Em nota, universidade repudiou ataques e afirmou que irá acionar a Procuradoria Federal e avaliar ações jurídicas para combater perseguição e assédio contra alunos.

Por *LUIZ FRANCO

Estudante cursa Arquitetura e Urbanismo na UFF, em Niterói
Estudante cursa Arquitetura e Urbanismo na UFF, em Niterói -
Rio - O soldado da Polícia Militar, integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) e youtuber Gabriel Monteiro agrediu e deu voz de prisão à aluna da Universidade Federal Fluminense, Juliana Alves, após uma confusão em frente ao Diretório Central dos Estudantes (DCE) da faculdade, na noite desta quarta-feira.
A aluna do curso de Arquitetura e Urbanismo contou ao DIA que esbarrou no celular do assessor de Gabriel, Rick Dantas, após pedir para não ser filmada por ele, fazendo com que o aparelho caísse no chão. Em seguida, o PM e youtuber teria dado voz de prisão a ela e segurado seu pulso, com força, por cerca de 40 minutos. "O assessor veio me filmar e aí, no reflexo, acabei esbarrando no celular dele, que caiu no chão. O PM veio em cima e ficou segurando meu pulso e eu pedindo que ela soltasse. Ele falou que eu estava sendo presa por desacato e aí segurou meu pulso bem forte", contou Juliana.
Em nota oficial, a UFF afirmou que: "O Gabinete do Reitor foi acionado e prestou assistência imediata à estudante, acompanhando-a a 76ª Delegacia de Polícia para prestar depoimento contra a agressão a captura não consentida da imagem".
Juliana foi até o Instituto Médico Legal (IML) e passou por perícia na manhã desta quinta-feira.
Gabriel gravou um vídeo em suas redes sociais ainda na noite de quarta-feira, onde afirmou: "Eu sou a vítima aqui". Ele estava tirando fotos com fãs antes da confusão começar. O policial e youtuber é conhecido por gravar vídeos intimidando alunos de universidades públicas. No dia 6 de setembro, ele publicou um vídeo em que comparava a UFF com uma cracolândia.  
Em nota, a universidade afirmou ainda que: "Não é a primeira vez que o youtuber explora de forma agressiva e distorcida a imagem da UFF e de sua comunidade interna. Suas práticas de perseguição, assédio, coação e difamação revelam o caráter autoritário de campanhas de desinformação para finalidades escusas de promoção pessoal pelo ataque à educação superior pública. É triste e revoltante que, em meio ao maior evento de produção científica e tecnológica do ano na UFF, que acontece simultaneamente em diversas localidades com centenas de apresentações acadêmicas, atores busquem ridicularizar e intimidar nossa comunidade interna."
Procurada, a Polícia Civil informou que foi realizado um termo circunstanciado de lesão corporal e a investigação está em andamento.
Leia a nota completa da UFF:
"A Universidade Federal Fluminense repudia com veemência os constantes ataques realizados pelo youtuber Gabriel Monteiro aos membros de sua comunidade interna. Na noite de ontem, a aluna do curso de Arquitetura e Urbanismo, Juliana Alves, foi agredida fisicamente pelo indivíduo em frente ao Diretório Central dos Estudantes (DCE) após proibir a divulgação de sua imagem. O Gabinete do Reitor foi acionado e prestou assistência imediata à estudante, acompanhando-a a 76ª Delegacia de Polícia para prestar depoimento contra a agressão e a captura não consentida da imagem.

Não é a primeira vez que o youtuber explora de forma agressiva e distorcida a imagem da UFF e de sua comunidade interna. Suas práticas de perseguição, assédio, coação e difamação revelam o caráter autoritário de campanhas de desinformação para finalidades escusas de promoção pessoal pelo ataque à educação superior pública. É triste e revoltante que, em meio ao maior evento de produção científica e tecnológica do ano na UFF, que acontece simultaneamente em diversas localidades com centenas de apresentações acadêmicas, atores busquem ridicularizar e intimidar nossa comunidade interna.

A UFF recomenda que todos os seus professores, técnicos-administrativos e estudantes que se sentirem assediados moral ou fisicamente procurem a Ouvidoria. Iremos acionar a Procuradoria Federal Junto à UFF para avaliar possíveis ações jurídicas contra essa prática de perseguição e assédio de nossos estudantes e da instituição."
*Estagiário sob supervisão de Thiago Antunes
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