Operação prende motoristas de aplicativo que criaram perfis falsos nas plataformas

Cerca de 100 motoristas tiveram documentos e carros fiscalizados

Por RAI AQUINO e ANDERSON JUSTINO

Os dados de 100 motoristas já foram checados
Os dados de 100 motoristas já foram checados -
Rio - Dois motoristas de aplicativo que usavam perfis falsos para transportar passageiros no Aeroporto Internacional do Rio, o Galeão, na Ilha do Governador, foram presos na manhã desta segunda-feira, durante uma operação da Polícia Civil. A Operação Vexo, burlar em latim, foi realizada após seis meses de investigações.

Nesse período, a Delegacia do Aeroporto Internacional RioGaleão (Dairj) conseguiu identificar pelo menos dez motoristas nas investigações, no entanto, nem todos foram encontrados hoje. Ao todo, cerca de 100 motoristas tiveram seus documentos fiscalizados pelos policiais.

A delegada Tatiana Queiroz, titular da Dairj, explicou que outros dois motoristas foram encaminhados para a delegacia por já praticarem "crimes grave".

"Havia crime de tráfico de drogas e nove anotações por crime de ameaça", contou a delegada. "A gente quis entender se os aplicativos permitem que essas pessoas com antecedentes criminais se cadastrem em suas plataformas. Essas informações vão ser repassadas às empresas".

SÉRIE DE AÇÕES

A ação no Galeão aconteceu tanto na área reservada no Galeão para os motoristas, como nos locais de embarque e desembarque e nos acessos ao aeroporto. Ela foi feita após outras operações com taxistas do local.

"As ações da Dairj acontecem praticamente todo dia. Tivemos uma sequência de ações, primeiro com os taxistas cooperados e depois com os taxistas 'bandalhas'. Com o foco sempre em transporte", Tatiana detalhou.

A operação checou informações das carteiras de motoristas, para confirmar as autenticidades delas, dos documentos dos veículos, para saber se são roubados ou furtados, além dos dados cadastrados nas plataformas.

DUPLICIDADE

As investigações para a ação começaram em julho, a partir de denúncias sobre irregularidades envolvendo os motoristas. Desde então, foram descobertas 10 pessoas que usavam as plataformas com perfis falsos.

"Não só usuários procuraram a gente. Tiveram pessoas que foram se cadastrar no aplicativo e viram que já havia um cadastro com as informações dela. Deu duplicidade de perfis", Tatiana informou.

A delegada avisou que, após as fiscalizações de hoje, a ação seguirá com a abordagem aleatória dos motoristas no Galeão.
O especialista em segurança pública, José Ricardo Bandeira, orienta como os passageiros devem se prevenir.
"Enquanto as empresas responsáveis por esses aplicativos não se atualizam em segurança, os usuários precisam estar atentos em duas dicas importantes. A primeira é olhar nos aplicativos os comentários sobre o motorista. A segunda e última é a pontuação ganha por ele. Esse item é muito importante.
EMPRESAS
Procurada pelo DIA, a Cabify disse que segue atenta às investigações da polícia e considera importante a operação para a segurança dos usuários.

"A Cabify afirma que até o momento não recebeu notificação da Polícia Civil do Rio de Janeiro em relação às atuais investigações, mas que está à disposição para cooperar com as autoridades. A empresa também comunica que possui um trabalho antifraude, que faz uma rodagem periódica de antecedentes criminais e da documentação para o cadastro do motorista em sua plataforma. Os documentos necessários para cadastramento na plataforma são: Carteira Nacional de Habilitação (CNH), em vigência, que contenha a observação Exerce Atividade Remunerada (EAR), antecedentes criminais e o Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV), no qual conste também o pagamento do seguro obrigatório DPVAT", a empresa disse, em nota.
Já a 99 informou que o perfil do motorista na plataforma é "exclusivo e intransferível". A empresa disse também que repudia crimes como os flagrados pela operação, "assim assim como qualquer outra prática ilegal.
"Em comportamentos como esse, que vão contra os Termos de Uso do aplicativo, o condutor é bloqueado definitivamente da plataforma.
A empresa possui ferramentas para coibir tal prática ao checar informações do condutor. A empresa utiliza recurso de reconhecimento facial, que identifica automaticamente e periodicamente o rosto dos condutores antes de eles se conectarem ao app. Passageiros também são convidados a verificar se a imagem do motorista bate com quem realizou a corrida, antes e depois da chamada.
No momento do cadastro, ainda é solicitada ao condutor uma selfie segurando a carteira de habilitação. Ele também precisa subir fotos da própria carta e do licenciamento do veículo.
Além disso, a 99 faz uma análise de perfil dos motoristas que verifica o histórico público dos condutores a partir de documentos como CPF, CNH e licenciamento. A empresa também possui parceria com o Denatran que permite acessar informações no órgão -- por exemplo, se o carro é roubado ou se possui algum sinistro.
Tais medidas visam estabelecer modelos de redundância que oferecem proteção adicional aos usuários da plataforma. Estamos colaborando com as investigações da polícia", a 99 comunicou.
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