Pai de menina morta por bala perdida em Realengo se emociona: 'Só tinha 5 anos'

'Vi minha filha nascer. Perder minha filha com 5 anos, a mais nova, agarradona comigo?', lamentou Augusto Alves de Oliveira. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) realiza na manhã desta quarta-feira uma perícia no local do crime

Por Gustavo Ribeiro e Thuany Dossares

Sangue no local onde menina e adolescente foram baleados em Realengo
Sangue no local onde menina e adolescente foram baleados em Realengo -
Rio - Os pais de Ketellen Umbelino de Oliveira Gomes, de 5 anos, estiveram no Instituto Médico Legal (IML) de Campo Grande, Zona Oeste do Rio, na manhã desta quarta-feira, para liberar o corpo da filha. A menina morreu horas após ser baleada em uma das pernas no caminho para a escola onde estudava, em Realengo, também na Zona Oeste, na tarde de ontem. O pai, Augusto Alves de Oliveira, 28 anos, relatou que, segundo testemunhas, três homens pararam em um carro branco, um deles saiu e atirou contra Davi Gabriel Martins do Nascimento, de 17 anos, que morreu no local. Mas a menina também foi atingida. Ela estudava na Escola Municipal Stella Guerra Duval e é a sexta criança morta por bala perdida em 2019.

"Como foi exatamente eu não tenho como falar, porque eu não estava no local. O boato é que ela estava parada na porta da escola, parou um carro branco, desceram três 'malucos' e um só deu os tiros. Acertou o 'maluco' (o adolescente morto) que queria acertar, mas acertou minha filha também", disse Augusto.

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Abalada, mãe esteve no IML para liberar o corpo da pequena Ketellen, morta após ser vítima de bala perdida em Realengo Thuany Dossares / Agência O DIA
Escola onde Katellen, de 5 anos, estudava em Realengo. Ela estava a caminho da unidade escolar quando foi baleada Reprodução vídeo / WhatsApp O DIA
Homens chegaram em um carro e fizeram disparos contra adolescente que morreu no local. Katellen, de 5 anos, também foi baleada e não resistiu após passar por cirurgia Reprodução vídeo / WhatsApp O DIA
Delegacia de Homicídios faz perícia onde menina foi vítima de bala perdida. Um adolescente, que era o alvo dos disparos, morreu no local Reprodução vídeo / WhatsApp O DIA
"A sensação é de pegar o maluco que fez e fazer pagar da mesma forma. Minha filha só tinha 5 anos. Vi minha filha nascer. Perder minha filha com 5 anos, a mais nova, agarradona comigo?", lamentou o pai. Segundo ele, a vítima fez o trajeto que estava acostumada a fazer para a escola, acompanhada da mãe.

Augusto contou que a filha morava com a mãe, mas era muito ligada a ele. Na última vez em que estiveram juntos, há três semanas, Ketellen brincava na piscina na casa do pai. Ele se lembra, emocionado, da despedida: "A última vez que a vi, ela estava brincando na piscina, no quintal, ficou sentada no meu colo, entrou dentro de casa e depois falou: 'Pai, vou embora com a mamãe'. Eu falei: 'Tá bom. Aqui a xuxinha, dei banho nela e prendi o cabelo dela".

Ketellen só queria aproveitar a infância como qualquer menina de sua idade. "Gostava de brincar de boneca”", lembrou o pai. "Eu também tenho uma filha mais velha, sendo que ela era a mais agarrada comigo. Sempre que ela ia lá pra casa, a mais velha ficava brincando e ela só queria ficar agarrada comigo vendo televisão, dormia agarrada... Era só assim", acrescentou.

Apesar da idade de quem tinha uma vida inteira pela frente, demonstrava ser uma criança madura e sensível. "Quando era mais nova, era bem levada, mas quando foi crescendo, acho que ela foi criando maturidade. Quando ela via alguém triste, fazia carinho no rosto, ficava beijando toda hora", comentou Augusto. A irmã de Ketellen já soube da fatalidade. Segundo o pai, "ela está com saudade". 
Seis crianças mortas por bala perdida em 2019
Ketellen é a sexta criança morta por bala perdida em 2019, de 21 baleadas na Região Metropolitana do Rio. Já é o dobro de mortes registradas de crianças, em comparação ao mesmo período (até 13 de novembro) de 2018, segundo a a plataforma Fogo Cruzado.

Além da menina vitimada em Realengo, morreram da mesma forma Ágatha Félix, de 8 anos (no Alemão); Kauê dos Santos, de 12 anos (baleado em operação policial no Chapadão); Kauê Rozário, de 11 anos (Vila Aliança); Kauã Peixoto, de 12 anos (morto durante confronto entre policiais e bandidos na Chatuba de Mesquita); e Jenifer Gomes, de 11 anos, ferida por tiro em Triagem.
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