Óleo pode chegar à Região dos Lagos nas próximas semanas, diz especialista

Resíduo deve atingir Cabo Frio, Búzios e Arraial do Cabo. Correntes marítimas, porém, evitariam contaminação no Rio

Por GUSTAVO RIBEIRO

Fragmentos de óleo foram encontrados, no domingo, em praia do município de Quissamã, no Norte Fluminense
Fragmentos de óleo foram encontrados, no domingo, em praia do município de Quissamã, no Norte Fluminense -

O avanço da mancha de óleo no litoral do Estado do Rio já deixa vários municípios em alerta. Depois de resíduos terem sido encontrados, na última sexta-feira, na Praia de Grussaí, em São João da Barra, a Marinha recolheu no domingo fragmentos em outras três cidades do Norte Fluminense. Foram localizadas pequenas amostras em São Francisco de Itabapoana (nas praias de Santa Clara e Guriri) e Macaé (Praia do Barreto), e um quilo em Quissamã (no Canal das Flechas). Segundo o oceanógrafo David Zee, da Uerj, a Região dos Lagos pode ser atingida nas próximas semanas.

No sábado, o Ibama confirmou que o óleo — cerca de 300 gramas — encontrado na Praia de Grussaí, em São João da Barra, é o mesmo que vem se espalhando no litoral do Nordeste desde o fim de agosto. A limpeza foi feita anteontem. Já os materiais coletados nos outros municípios fluminenses, conforme a Marinha, serão encaminhados ao Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM) para análise e investigação da origem. "O material é tóxico e não deve ser manuseado ou tocado sem as devidas proteções", alerta o comandante da Defesa Civil de Quissamã, Marcos Alves.

David Zee, que já havia alertado sobre o risco de o óleo chegar ao Norte Fluminense em reportagem de O DIA, no mês passado, estima que há risco de Cabo Frio, Búzios e Arraial do Cabo serem atingidos até 15 de dezembro. A Costa Verde e a capital, segundo ele, não devem ser afetadas.

"O litoral brasileiro faz o sentido Norte-Sul até Cabo Frio, Arraial e Búzios. Depois, muda para Leste-Oeste. Então, até nesses três municípios existe a possibilidade de chegar. Isso está acontecendo na porta do verão e pode prejudicar a pesca e o turismo. Além do mais há substâncias cancerígenas no petróleo. Mas as correntes não ajudam a empurrar o óleo para Saquarema, Araruama, Rio, Baía de Ilha Grande e Sepetiba", avisa Zee.

 

Registros em 772 localidades

 De acordo com a Marinha e o Ibama, 772 localidades em 11 Estados foram atingidas pelo óleo. Estão com as praias limpas os Estados do Rio, Espírito Santo, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Sergipe. Permanecem com vestígios de óleo: Araioses, no Maranhão; Barreiros, em Pernambuco; Japaratinga, Barra de São Miguel, Feliz Deserto, Maragogi e Roteiro, em Alagoas; e Cairu, na Bahia. A 2ª Promotoria de Justiça de São João da Barra instaurou, na quinta-feira, procedimento administrativo para acompanhar o avanço da mancha. O governo federal não concluiu as investigações sobre a origem do óleo.

União de esforços para prevenção

Um grupo de trabalho coordenado pelo governador Wilson Witzel se reuniu, anteontem, na Capitania dos Portos de Macaé com a Marinha, o Exército, o Corpo de Bombeiros e autoridades dos municípios. "Intensificamos o monitoramento e estamos capacitando os municípios para que possamos atuar de forma imediata e trabalhar em ações de pronta resposta", destacou a secretária de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Ana Lúcia Santoro. "Os fragmentos estão chegando muito levemente. Tudo parece crer que teremos um impacto menor na Região Sudeste, mas estamos preparados para qualquer situação. Contingente e meios não vão faltar. Não há motivos para alarde", disse o comandante do 1º Distrito Naval, Flávio Augusto Viana Rocha.

Na quinta-feira, guardas municipais do Rio fizeram treinamento no Inea, em Niterói, para atuarem na retirada de óleo caso apareçam resíduos na orla. A capacitação contou com 46 agentes de vários órgãos de Araruama, Duque de Caxias, Guapimirim, Maricá e Niterói.

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