Fiocruz lança cartilha contra a violência

Além de sanar dúvidas, a publicação possui dados de medidas preventivas e de tratamento, com indicadores do impacto na saúde

Por Bruna Fantti

'Policial pode me revistar?' e 'Sou mulher. Um policial do sexo masculino pode me revistar?' são dúvidas que constam na cartilha lançada ontem, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), para a prevenção da violência armada em Manguinhos, Zona Norte do Rio.

A região tem frequentes operações policiais e, com base em estudos do impacto da violência nos moradores, agentes de segurança e funcionários da fundação, pesquisadores resolveram lançar a cartilha. Ela possui 28 páginas e está disponível para download no portal da fundação, que é ligada ao Ministério da Saúde.

Além de sanar dúvidas, a publicação possui dados de medidas preventivas e de tratamento, com indicadores do impacto na saúde. Segundo pesquisa divulgada no informativo, o sofrimento psíquico foi o agravo mais percebido entre 88 moradores e moradoras desses territórios entrevistados: 80% responderam que a violência com uso de armas de fogo afeta sua saúde, de sua família ou de pessoas próximas.

Os agentes da segurança pública também são impactados. De acordo com dados da Comissão de Análise da Vitimização Policial da Polícia Militar do Rio de Janeiro que constam do material, todo dia de três a quatro policiais são afastados com diagnósticos psiquiátricos na corporação. Em um levantamento referente ao ano de 2018, quase metade dos 1.320 militares licenciados em decorrência de problemas de saúde foi afastada por reações ao estresse grave (567).

A cartilha também dispõe de um capítulo dedicado ao Transtorno de Estresse Pós-Traumático construído pela pesquisadora do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca da Fiocruz, Fernanda Serpeloni.

 

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