Roubo de celulares segue em alta no Rio

Polícia Civil mira receptadores e também compradores de celulares roubados

Por Bruna Fantti

Rio - A Polícia Civil realizou nesta terça-feira uma operação para coibir o incentivo ao crime, prendendo suspeitos de envolvimento na compra e venda de celulares roubados. A operação se concentrou no município de Magé, na Baixada Fluminense. Dez suspeitos foram encaminhados à delegacia - todos acabaram liberados, mas deverão responder pelo crime de receptação. O roubo de celulares continua em alta no Estado do Rio de Janeiro. Nos dez primeiros meses deste ano foram 22.911 registros. Só no Centro do Rio, durante a festa do bicampeonato do Flamengo na Libertadores, foram oito registros. Em outro evento de grande porte, o Rock in Rio, cerca de 600 aparelhos foram roubados.

Segundo a polícia, as investigações da operação desta terça começaram há três meses, a partir do rastreamento de celulares roubados na cidade. Assim foi possível identificar os receptadores e consumidores finais.

"Com a compra de um produto roubado, essas pessoas fomentam os delitos", afirmou o delegado Ângelo Lage, titular da 65ª DP (Magé). A ação de ontem, segundo Lage, foi a primeira de muitas que visam os consumidores do produto do roubo. As próximas devem envolver as 19 delegacias de toda a Baixada Fluminense.

Na capital, Bangu lidera número de roubos este ano

Na cidade Rio, entre janeiro e outubro deste ano foram registrados 12.304 roubos de celulares, 53% de todo o Estado. A área do 14º BPM (Bangu) lidera os roubos do tipo na capital, com 1.761 casos.
 
Já a Baixada Fluminense teve 6.558 registros, no mesmo período, sendo Mesquita a líder: 2.593 roubos. O número é superior até mesmo ao de áreas policiadas pelos batalhões de Niterói e São Gonçalo, que somam 2.046 ocorrências.
 
O especialista em Segurança de Dados José Antônio Milagre afirma ser necessário um cuidado maior com a segurança dos celulares. "As pessoas devem ter a preocupação voltada para além dos danos materiais. Fotos e outras informações sensíveis são carregadas nos aparelhos e podem causar danos irreparáveis, caso sejam divulgadas", afirmou. Ele dá dicas de como proteger o aparelho, mesmo que tenha sido roubado
 
Comprar produto roubado dá prisão de até quatro anos
 
Especialista em segurança, José Antônio Bandeira diz que uma pessoa pode responder a até quatro anos de prisão caso compre um celular roubado. "Comprar um aparelho roubado torna o consumidor um criminoso por receptação de mercadoria roubada, com pena de reclusão de um a quatro anos e multa", completa.
 
Segundo Bandeira, não é somente na compra de um aparelho roubado que o consumidor pode ser preso. "Comprar um celular ou objeto roubado pode se tornar uma verdadeira dor de cabeça e não é pela óbvia falta de garantia. Segundo o artigo 180 do Código Penal é crime adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte", informa.
 
Bandeira aponta também quais os cuidados é preciso ter ao comprar um celular. "Como saber se o celular é produto de um crime? Pelo local onde o mesmo é vendido, pela falta dos acessórios que deveriam acompanhar o aparelho e, principalmente, pelo preço muito abaixo do valor de mercado", ensina.

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