'Tráfico e milícia são a mesma coisa', diz secretário de Polícia do Rio

Afirmação foi feita pelo delegado Marcus Vinícius Braga, em entrevista coletiva sobre a morte de um criminoso procurado e os últimos índices de criminalidade divulgados no estado

Por Agência Brasil

Secretário da Polícia Civil do Estado do Rio, delegado Marcus Vinícius Braga
Secretário da Polícia Civil do Estado do Rio, delegado Marcus Vinícius Braga -
Rio - Traficantes e milicianos são igualmente criminosos, sem distinção, atuando ambos no tráfico de drogas, no roubo de cargas e no roubo de carros. A afirmação foi feita nesta terça-feira pelo secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Marcus Vinícius Braga, em entrevista coletiva sobre a morte de um criminoso procurado e os últimos índices de criminalidade divulgados no estado.
“Tráfico e milícia hoje são exatamente a mesma coisa. São criminosos perversos que dominam a sociedade local, independente de a sociedade querer ou não. A gente trata milícia exatamente como trata o tráfico. São criminosos. É mentira que miliciano não trafica drogas, é mentira que não rouba carga, que não rouba carros. Faz tudo o que o traficante faz”, disse Braga.
Segundo o secretário, o combate às milícias é mais complexo do que a repressão ao tráfico de drogas, porque não é tão aparente e requer mais investigação. Isso demandou, de acordo com o delegado, uma curva de aprendizagem das polícias, para permitir lutar contra as milícias.
“A Polícia Militar e a Polícia Civil começaram a entender o trabalho de milícia. Não é fácil. A gente não sabia, no começo, como seria o nosso trabalho. O traficante, você vê ele ali com a droga, o miliciano requer investigação. Muito difícil dar um flagrante em crime de miliciano, a não ser no porte de arma”, ressaltou Marcus Vinícius.
Durante a coletiva, que abordou a morte do traficante Thomas Jhayson Vieira Gome, o 3N, e mais cinco pessoas que estavam com ele em um sítio, no início da manhã, o delegado falou também sobre os índices de criminalidade no estado, divulgados na segunda-feira (25), que apontam uma diminuição importante nos homicídios dolosos, assim como o constante aumento do número de pessoas mortas em operações policiais.
“Não tem como diminuir 884 mortes e falar que reduzimos por esse ou por aquele motivo. Uma série de fatores que as polícias estaduais estão desenvolvendo e trabalhos em conjunto geram essa diminuição. O homicídio doloso é a nossa principal meta”, disse o secretário. Ele destacou que a redução de outros grupos de crimes contribuiu para a diminuição dos casos de homicídio, como o menor número de roubos de veículos, que registrou 33.652 casos, de janeiro a outubro deste ano, 10.559 a menos do que no ano anterior.
Mortes em confrontos
Sobre o aumento dos casos de morte em confrontos, o secretário enfatizou que é resultado da reação dos criminosos à polícia: “A morte por intervenção policial nada mais é do que, na hora da operação, o sujeito reagiu. Ponto”.
O porta-voz da Polícia Militar, coronel Mauro Flies, que também participou da entrevista coletiva, atribuiu o alto índice de mortes de criminosos ao comportamento destes, muitos dos quais, jovens e fortemente armados. “É bom frisar que as nossas operações são programadas com dados de inteligência e visam preservar vidas. No entanto, marginais insanos, portando armas de guerra, não se rendem. Eles buscam o enfrentamento, ousam atacar o Estado e a sociedade”, afirmou Flies.
Foram 1.546 casos de mortos em confronto com a polícia, de janeiro a outubro de 2019, contra 1.310 no mesmo período do ano passado, um aumento de 236 pessoas mortas.

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