Livro desvenda os bastidores da tragédia da Vale em Brumadinho

Jornalistas se basearam no inquérito da PF sobre o acidente que matou 270 pessoas, sendo que 254 tiveram os corpos encontrados e 16 ainda estão desaparecidos

Por O Dia

Os jornalistas mineiros Lucas Ragazzi (esquerda) e Murilo Rocha lançam livro no
Rio amanhã
Os jornalistas mineiros Lucas Ragazzi (esquerda) e Murilo Rocha lançam livro no Rio amanhã -

Os jornalistas mineiros Lucas Ragazzi e Murilo Rocha lançarão no Rio, amanhã, o livro-reportagem 'Brumadinho: a engenharia de um crime', da Editora Letramento. Apurações da Polícia Federal, relatórios internos da mineradora Vale e reveladoras trocas de e-mails foram importantes fios condutores para os autores contarem os bastidores das investigações da tragédia de Brumadinho (MG), que deixou 270 mortos, sendo que 254 tiveram os corpos e 16 ainda desaparecidos, em janeiro deste ano.

Inquérito da PF

Com 264 páginas, a obra mostra que a Vale sabia dos riscos de ruptura da estrutura desde 2017 e não preveniu os danos. O lançamento será na Livraria da Travessa, na Rua Voluntários da Pátria 97, em Botafogo, a partir de 19h.

"O livro é baseado no inquérito da Polícia Federal e traz, documentado, que a Vale sabia que a barragem do Córrego do Feijão estava com possibilidade de ruptura acima do aceitável. Houve um painel de especialistas em novembro de 2017, promovido pela própria Vale, em que uma engenheira disse que a barragem tinha fator de segurança abaixo do recomendado mundialmente", ressalta Murilo Rocha.

"O mais inexplicável foi a Vale manter o centro administrativo a 1,5km do pé da barragem, onde passavam mais de 300 pessoas por dia, mesmo sabendo dos riscos", acrescenta o jornalista.

E-mails falavam sobre riscos

'Brumadinho: a engenharia de um crime' reporta que um sistema da Vale, chamado de Gestão de Riscos Geotécnicos (GRG), continha, em 2018, uma lista de dez barragens consideradas 'zonas de atenção', incluindo a de Brumadinho.
 
O trabalho mostra, ainda, e-mails trocados, em maio de 2018, entre funcionários da Tüv Süd, empresa alemã responsável pelas auditorias, confirmando que a barragem não atendia aos requisitos de segurança. Apesar disso, a Tüv Süd emitiu declarações, destinadas a órgãos fiscalizadores, atestando a segurança, como apontaram as investigações.
 

 

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