Cordel encantado de Jota

Jota Rodrigues, grande expoente da literatura de cordel, é homenageado em exposição promovida pelo Iphan

Por Julia Noia*

Rio - Pendurados nos varais, cada cordel conta uma história diferente, fala do povo brasileiro e representa a cultura nordestina. No Rio de Janeiro, Jota Rodrigues, falecido ano passado, foi o grande expoente da literatura de cordel. Para comemorar a 200ª exposição da Sala do Artista Popular, espaço do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o local abriga, desde a última quinta-feira, dia 28, a arte de Rodrigues como forma de homenagem ao artista na exposição "Jota Rodrigues: a vida e a arte".
Alfabetizado apenas aos 8 anos, Rodrigues se transformou em um multiartista, com o cordel, a música e as artes plásticas. Ao todo, publicou mais de 400 folhetos de cordel, xilogravuras, fotografias, entrevistas gravadas em vídeo e áudio, discos, novelas e roteiros de filmes. Além disso, ainda é considerado patrono de diversas bibliotecas na Baixada Fluminense, região em que morava no Rio.
Em 1986, ano de inauguração da Sala do Artista Popular, o artista abriu o espaço com a exposição "Jota Rodrigues: folhetos, romances/literatura de cordel". Agora, antropólogos Ricardo Gomes Lima e Ana Carolina Nascimento, curadores da mostra, decidiram prestar a homenagem à Rodrigues. A exposição conta com obras nas áreas de suas paixões: cordel, ervas medicinais e música popular.
"A literatura do Jota é um exemplo do cordel porque ele trabalha tanto com temas totalmente nordestinos como temas muito universais, como política brasileira, vida em favelas e analfabetismo. Isso faz dele um personagem mais que apenas nordestino, e sim preocupado com todo o Brasil", explicou Ricardo Gomes. 

Literatura de cordel é Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro

A importância da literatura de cordel vai para além das histórias penduradas em varal. Em 2018, as peças artísticas foram promovidas a Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Iphan.

O gênero literário surgiu na cultura brasileira no final do século XIX e, atualmente, é ofício e meio de sobrevivência para milhares de brasileiros e, apesar de ter começado no Norte e no Nordeste do País, já se disseminou para as demais regiões do Brasil. 

O antropólogo e curador da exposição, Ricardo Gomes, explicou que, no processo de transformar o cordel em patrimônio imaterial, Rodrigues teve papel importante. "O Jota Rodrigues foi um dos cordelistas que foi muito entrevistado e deu vários depoimentos ao Iphan para ajudar a levar a literatura de cordel à categoria de patrimônio imaterial", afirmou.

Recursos para o Centro Cultural

A exposição em cartaz no espaço do Iphan, além de dar visibilidade às obras do artista, também capta recursos para o Centro Cultural Jota Rodrigues, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense.

Depois das chuvas de granizo que assolaram o município em outubro, o telhado do centro foi comprometido e, para ajudar na reconstrução, os curadores decidiram vender cordéis e camisetas com estampas das xilogravuras do artista. Os cordéis custam R$ 3 cada, enquanto as camisas são vendidas a R$ 35 a unidade.

O espaço foi construído por Jota com o dinheiro do Prêmio Culturas Populares, recebido em 2008 do então Ministério da Educação e Cultura. O espaço foi construído no segundo andar da sua casa, e é dividido entre as três paixões do artista: cordel, ervas medicinais e música popular.

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