Em nome dos filhos, mulheres superam dificuldades e ainda encontram estímulo para ajudar outras famílias

Longe da TV, as histórias emocionam bem mais

Por Bruna Fantti

Luciana Fortuna teve o filho preso injustamente. Na foto, ela segura uma camisa do filho. Ela chegou a levar roupas limpas para a audiência pois acreditava que ele ficaria livre
Luciana Fortuna teve o filho preso injustamente. Na foto, ela segura uma camisa do filho. Ela chegou a levar roupas limpas para a audiência pois acreditava que ele ficaria livre -

No ar há uma semana, a nova novela das 21h da TV Globo, 'Amor de mãe', mostra situações tocantes sobre sacrifícios em nome dos filhos. Mas o amor maternal e histórias emocionantes estão no dia a dia de mulheres também fora das telas. Há vários casos de mães que mudaram a sua realidade e conseguiram superar obstáculos que a vida impôs a seus filhos. Algumas dessas superações tiveram impactos em outras famílias. É o caso de Daniela Cavalheiro, fundadora do Movimento Amadinhos Down.

"Soube somente no parto da minha filha que ela tinha síndrome de Down. Não mudou nada para mim. Mas vejo muitas mães, ainda na maternidade, passando pelo processo da negação da criança, ou sem nenhuma informação. Assim, surgiu a ideia do Amadinhos", conta.

Na época, Daniela era executiva em uma empresa e largou tudo para cuidar da filha. Com doações, consegue manter a instituição que auxilia cerca de 200 famílias:

"A gente reúne pais de crianças com síndrome de Down e orienta as famílias desde o nascimento dessas crianças. Também promovemos palestras e passeios".

Na próxima terça-feira, acontecerá mais uma passeio. "Uma mãe me ligou chorando muito, contando que nunca pensou que o filho dela poderia ir ao Arpoador", orgulha-se Daniela, que trabalha com famílias na Baixada.

Já o sonho de Vera Lucia de Souza era ser mãe. Tinha 37 anos e trabalhava como lojista quando descobriu que estava grávida. "O pai da criança queria que eu tirasse. Eu disse que não. Ele, então, respondeu: 'então você se vira'. Na certidão do meu filho só tem o meu nome como mãe", contou. 

Moradora da Ilha do Governador, ela quis dar uma boa educação para o filho e começou a trabalhar como diarista. "Só folgo aos domingos, ainda vendo bijuteria. De segunda a sexta faço faxina e consigo tirar mais de um salário mínimo para pagar a escola e o plano de saúde do João Vitor, que está com 9 anos agora". 

No início do ano, ela passou por um trauma: seu novo marido morreu em um acidente. "Meu filho já o chamava de pai. Tive que dar apoio psicológico para ele", afirmou. 

A pedagoga Luciana Fortuna nunca irá esquecer a noite em que recebeu uma ligação, em 2006, dizendo que seu filho tinha sido preso e baleado. "Sabia que algo estava errado. Nós demos uma boa educação para ele, que se dedica à faculdade de Administração. Ser preso por tráfico era algo impossível", relatou. 

Um vídeo provava a inocência do rapaz, mas na primeira audiência, a juíza acatou a palavra dos policiais que o prenderam. "Tinha certeza que ele seria liberado, que era um mal-entendido. Levei roupas para ele sair do tribunal. Mas ficou preso por 105 dias", contou. Com o marido, Luciana foi atrás da Justiça. Nunca deixou de visitar o filho na cadeia, até sair um habeas corpus. "No dia do julgamento, fiquei em oração. Com todo o meu amor eu pedia Justiça. E, ela veio com a absolvição dele", relembra. Atualmente, seu filho tenta esquecer os dias em que ficou preso injustamente e está concluindo um curso de técnico em enfermagem. "Tudo o que passei me fez ser uma pessoa melhor hoje. Não queria ter passado, mas absorvi tudo como uma lição e sinto mais a dor dos outros", disse.

A comerciante Neli Adriana da Silva relembra os cinco meses em que buscou a filha adolescente desaparecida pelas ruas do Rio. O reencontro ocorreu após uma pessoa ligar para a Fundação para a Infância e Adolescência (FIA) ao ver a foto da sua filha, de 14 anos, em uma reportagem. "Ela fugiu de casa e foi morar na rua. A encontramos em Honório Gurgel. Fiz várias mudanças na minha vida pelo bem-estar da minha família desde então". Atualmente, Neli integra o Movimento Mães Virtuosas do Brasil que faz uma vez por mês a divulgação dos desaparecidos na Câmara dos Vereadores, além de apoiar famílias de desaparecidos.

 

 

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