Interventor da Beneficência Portuguesa, Célio Andrade acredita que o ano de 2020 será decisivo: a aposta é em novos associados - Reginaldo Pimenta
Interventor da Beneficência Portuguesa, Célio Andrade acredita que o ano de 2020 será decisivo: a aposta é em novos associadosReginaldo Pimenta
Por Anderson Justino

A Instituição Beneficência Portuguesa, há 179 anos fazendo parte da história do Rio, inicia o ano de 2020 com inquietação. Uma dívida financeira, que se aproxima dos R$ 200 milhões, pode levar ao encerramento de suas atividades. Caso isso aconteça, mais de dez mil pessoas, entre associados, filantropos e funcionários, serão afetadas.

A instituição, que passa por um processo de intervenção há um ano, já foi referência médica, com um complexo hospitalar de 17 mil metros quadrados e 900 leitos. Atualmente, segundo a atual diretoria, acumula encargos por conta das administrações anteriores. E desempenha suas atividades de forma ambulatorial, em um apartamento de 200 metros quadrados no Centro do Rio.

De acordo com o interventor da Beneficência Portuguesa, Célio Andrade, será lançada uma campanha de recuperação financeira já neste mês de janeiro.

"A campanha será importante para sabermos se continuaremos o trabalho. Com apoio de colaboradores, outdoors serão espalhados pela cidade convocando as pessoas a se associarem à instituição. Já tivemos os melhores médicos e o melhor hospital do Rio. Não podemos jogar fora a história portuguesa no Brasil dessa forma".

Apesar de crise, áreas carentes são assistidas

O interventor da instituição explicou que hoje a Beneficência tem em seus quadros oito mil associados. Apesar disso, apenas 100 deles estão com suas mensalidades em dia.

Por conta da crise financeira, o quadro de funcionários foi drasticamente reduzido: de 2.000 para 30 pessoas. "Mesmo com esses 100 associados ativos, a gente não consegue quitar a folha salarial. Em algumas situações, tiramos do nosso bolso para pagar as contas", disse Célio Andrade.

Além do apoio à comunidade portuguesa, a instituição oferece serviços médicos e de farmácia para moradores de áreas carentes. Cinco comunidades são beneficiadas com o trabalho da antiga gigante da saúde: Camarista Méier, Andaraí, São João, Matriz e Tavares Bastos.

Pedido de ajuda governamental

Ainda neste mês, representantes de várias instituições beneficentes do país terão um encontro com o presidente da República, Jair Bolsonaro. A pauta discutida será a situação financeira das fundações. O objetivo é apresentar possíveis soluções para quitação das dívidas fiscais das entidades.

Para o interventor Célio Andrade, esse encontro será importante para o futuro da Beneficência Portuguesa. "A gente vai tentar apresentar uma saída para quitar nossas dívidas", declarou.

Alguns representantes da instituição defendem ainda que o espaço precisa também do apoio dos governos do Município do Rio, do Estado do Rio, e do Consulado de Portugal.

A Beneficência Portuguesa tinha um patrimônio de 1.300 imóveis que foram perdidos por conta de ações judiciais fiscais e trabalhistas. Além do antigo complexo hospitalar, no bairro da Glória, um asilo, na Praça Seca, foi leiloado para pagar dívidas.

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