Defensoria do Rio processa Estado por sepultar rapaz sem conhecimento da família

Em agosto deste ano, o rapaz faleceu em Ipanema e o corpo foi recolhido pelo Instituto Médico Legal, onde permaneceu durante cinco dias. Embora tenha sido identificado, o IML não contatou os familiares do morto para notificá-los e liberou o corpo para sepultamento em cova rasa

Por O Dia

Instituto Médico Legal
Instituto Médico Legal -
Rio - A Defensoria Pública, por intermédio do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos, ajuizou uma ação contra o Estado do Rio de Janeiro por sepultar o corpo de um jovem de 25 anos sem comunicar o óbito à família. O caso foi recebido pelo Tribunal de Justiça no dia 13 de novembro e tramitará na 1ª Vara Cível de Magé. Caso seja condenado, o Estado deverá realizar um novo sepultamento, bem como indenizar a família.

Em agosto deste ano, o rapaz faleceu em Ipanema e o corpo foi recolhido pelo Instituto Médico Legal (IML), onde permaneceu durante cinco dias. Embora tenha sido identificado, o IML não contatou os familiares do morto para notificá-los e liberou o corpo para sepultamento em cova rasa.

A mãe do jovem só foi informada da morte do filho mais de três meses depois, através de uma correspondência remetida pelo Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos do Ministério Público (PLID/MPRJ). O IML alega que a família não reclamou o corpo e, passando o prazo de retirada, eles precisam liberar o corpo para sepultamento. Entretanto, a defensora pública que está atuando no caso, Gislaine Kepe, afirma que é responsabilidade do Instituto Médico Legal de informar a família.

"A família foi privada de elaborar seu direito ao luto e da possibilidade de realizar o sepultamento de seu ente, motivo pelo qual deve ser indenizada a título de danos morais, em valor não inferior a 400 mil reais", ressalta a defensora.

O drama dessa mãe se repete diariamente. Cerca de 33 mil pessoas desapareceram no município do Rio de Janeiro nos últimos quinze anos, segundo dados do PLID/MPRJ. Parte desses desaparecimentos são causados pelo próprio Estado, por deficiência na comunicação entre seus órgãos.
De acordo com o Instituto Médico Legal (IML), o corpo foi identificado através de coleta papiloscópica para a formalização de pesquisa, sendo confirmada o registro de identificação de Édio Bonfim de Souza. "A família foi procurada pelo órgão, entretanto não foi localizada. O corpo foi enterrado e o documento de óbito ficou à disposição dos familiares no IML", diz em nota a Polícia Civil.
Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia

Comentários