MPF quer bloqueio de bens de ex-prefeito de São Gonçalo para ressarcir cofres públicos

Neilton Mulim é investigado por supostas irregularidades na aplicação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação

Por ESTADÃO CONTEÚDO

Neilton Mulim foi prefeito de São Gonçalo de 2013 a 2016
Neilton Mulim foi prefeito de São Gonçalo de 2013 a 2016 -
Rio - O Ministério Público Federal (MPF) deu parecer favorável ao bloqueio dos bens de Neilton Mulim (PR), ex-prefeito de São Gonçalo, que fica na Região Metropolitana do Rio, por supostas irregularidades na aplicação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O pedido liminar, negado pela Justiça em primeira instância, é para assegurar o ressarcimento de R$ 107 milhões aos cofres públicos que deveriam ter sido usados no Programa Especial de Recuperação da Rede Física Escolar Pública.

Por falta de prestação de contas, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) tinha responsabilizado tanto Mulim, que foi prefeito de 2013 a 2016, quanto a antecessora Maria Aparecida Panisset (2005-2012) pelo "uso indevido dos repasses do FNDE". Como o caso de Panisset prescreveu, ela foi excluída da ação.

Segundo o MPF, embora os recursos tenham sido recebidos na gestão anterior, "Mulim não respondeu às intimações do TCE nem demonstrou ter adotado medidas para preservar as verbas públicas".

Para o Ministério Público Federal na 2ª Região (RJ/ES), a Constituição deu especial tratamento às ações de improbidade para garantir eventuais reparações aos cofres públicos.

A Procuradoria argumenta que, para ordenar o bloqueio de bens e eventuais outras medidas cautelares, é necessário apenas demonstrar possível dano ao erário e o risco que implicaria a inércia do Judiciário.

"Não se mostra compatível com a ação de improbidade a exigência de aguardar que o agente esteja na iminência de dilapidar seu patrimônio para ser decretada a indisponibilidade dos seus bens", sustentou o parecer da procuradora regional da República Mônica de Ré.

O Ministério Público Federal assinala que a indisponibilidade dos bens não representa uma antecipação da sentença, sendo somente uma medida para assegurar o resultado útil do processo em caso de condenação.

"Considerando-se a indicação do envolvimento do agente nos atos de improbidade, a verificação da extensão de sua participação é matéria a ser aferida no curso da instrução processual", afirmou a procuradora regional no parecer.
O recurso do caso será analisado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).
A reportagem tenta contato com a defesa do ex-prefeito Neilton Mulim.
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