Prefeitura lança Rio+Seguro em Jacarepaguá, com reconhecimento facial

Câmeras serão acopladas ao uniforme de agentes e passarão por período de teste

Por Bruna Fantti

Agentes do Rio Seguro exibem as microcâmeras e a forma como serão acopladas ao uniforme durante as ações de teste em Jacarepaguá
Agentes do Rio Seguro exibem as microcâmeras e a forma como serão acopladas ao uniforme durante as ações de teste em Jacarepaguá -

A Prefeitura vai começar uma fase de testes com câmeras de sistema de reconhecimento facial e de placa de veículos. A novidade foi anunciada ontem, durante a expansão do programa Rio Seguro para a Zona Oeste da cidade. O primeiro módulo foi lançado na Freguesia, em Jacarepaguá, e irá reforçar a segurança no bairro das 8h às 22h, com 180 agentes, entre guardas municipais e policiais militares.

"A região carece desse projeto, ela clama por isso. É o papel da prefeitura ajudar o estado e vice-versa. O programa chega num momento oportuno. O bairro de Jacarepaguá tem aproximadamente um milhão de habitantes", disse o secretário de Ordem Pública, Guttemberg Fonseca.

Outros módulos deverão ser inaugurados até o mês de abril: Anil, Taquara, Pechincha, Tanque e Praça Seca, todos na região de Jacarepaguá, além do centro de Campo Grande. De acordo com Gutemberg, além de conter a violência, o Rio Seguro também irá fazer o ordenamento urbano.

O programa foi inaugurado em dezembro de 2017, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, e logo depois se estendeu para o Leme, bairro vizinho. Até novembro do ano passado, o Rio Seguro já havia efetuado quase mil prisões.

 

Após testes, mais 100 câmeras previstas

Na primeira fase dentro do projeto-piloto do Rio Seguro, haverá três câmeras individuais fixadas no colete de agentes. Essa fase é necessária para desenvolvimento de testes e protocolos. Numa segunda fase serão licitadas, para o programa, a compra de outras 100 câmeras.

Será licitado, também, um sistema de vídeo-análise proveniente de câmeras, que deverão suportar 12 horas de gravações com armazenamento em nuvem.

Para os testes será acessado o banco de dados do governo federal, o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Atualmente, uma parte desse sistema é de consulta pública e intitulado Sinesp Cidadão — aplicativo de acesso disponível para uso em smartphones, que permite ao cidadão consultar informações sobre veículos, mandados de prisão e desaparecidos.

Sistema da PM rendeu 70 prisões

A Polícia Militar foi a primeira a utilizar câmeras de reconhecimento facial no estado. A tecnologia, apelidada de 'Big Brother da PM', é da empresa chinesa Huawei. Na China, o sistema é capaz de reconhecer até números parciais das placas de carros (se um policial digitar uma letra e o número 10, por exemplo, todas as placas com essa combinação irão aparecer). Além disso, é possível saber quantas vezes um automóvel ou uma pessoa visitou um local vigiado, com um histórico de tempo indeterminado, pois as imagens ficam armazenadas. Também é viável identificar até alguém usando máscara, porque a tecnologia usada reconhece a forma de andar e gesticular de um indivíduo e cataloga todas essas informações.

Até dezembro de 2019 foram cerca de 70 prisões realizadas com a ajuda das câmeras. No entanto, o sistema gera debates, como a condução de pessoas reconhecidas de forma errada à delegacia.

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