Governador Wilson Witzel fez visita técnica ontem à estação de tratamento do Guandu
 - Philippe Lima/divulgação
Governador Wilson Witzel fez visita técnica ontem à estação de tratamento do Guandu Philippe Lima/divulgação
Por O Dia

A crise no abastecimento de água no Rio provocou uma alta nos serviços de higienização de caixas d'água. Consultados pela reportagem de O DIA, empresas e profissionais autônomos confirmam que a demanda cresceu muito nas últimas três semanas. É o caso de um laboratório de Piedade, que presta serviço de análise de água para as higienizadoras. Segundo o biólogo Rodrigo Lopes, técnico da empresa, a procura aumentou 80% no período.

"A orientação do Ministério da Saúde é que a limpeza seja feita a cada seis meses. Mas estamos vendo condomínios que já estão na quarta limpeza em um mesmo semestre", diz o técnico.

Em Pilares, uma higienizadora informou que cobra R$ 380 pela limpeza de dois reservatórios de mil litros cada. Em Rocha Miranda, um comerciante, dono de um pequeno bar, contou que pagou R$ 400 pelo mesmo serviço. O morador Honório da Hora falou que antecipou a higienização com receio de contaminação. "Geralmente faço a limpeza uma vez por ano. Mas tive que adiantar o serviço dessa vez. Não sei o que tem nessa água da Cedae".

A situação abriu espaço para aproveitadores. Ontem de manhã, uma página no Facebook oferecia a limpeza de caixa d'água por R$ 5.000.

A instalação dos filtros de carvão ativado aconteceu ontem na Estação de Tratamento de Água (ETA) do Guandu. O professor José Godoy, do departamento de Química da PUC-Rio, orienta que os moradores prestem atenção na água que entra em suas casas. Se estiver normalizada, é hora de limpar a caixa d'água. "Quando perceberem a água em bom estado, fechem a entrada, lavem o reservatório e abram novamente para renovar a água", orienta.

'É preciso proteger a ETA Guandu'
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Para a professora Márcia Dezotti, coordenadora do Laboratório de Controle da Poluição das Águas da Coppe/UFRJ, é necessário criar mecanismos para impedir que a água chegue com excesso de poluentes à Estação de Tratamento de Água (ETA) do Guandu. Na avaliação da especialista, a instalação dos filtros de carvão ativado pela Cedae não basta para resolver o problema.
"É necessário proteger a estação do Guandu. A água que chega até ela é extremamente contaminada. Isso porque o déficit de tratamento de esgoto no estado é gigantesco. A Baixada Fluminense despeja esgoto in natura no sistema Guandu. Nova Iguaçu, por exemplo, tem 0,1% de índice de tratamento", diz.
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Segundo Márcia Dezotti, uma alternativa é criar pequenas estações de tratamento em pontos estratégicos antes da ETA Guandu. "Com isso, seriam criadas barreiras e a água chegaria em melhor estado à ETA Guandu. Outra forma seria colocação de bolsas para borbulhar oxigênio no rio, o que oxidaria e degradaria a matéria orgânica.
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